Expressão não é um diagnóstico oficial e descreve pessoas que aparentam estar bem enquanto enfrentam sintomas de depressão.
A expressão “depressão sorridente” é usada para descrever pessoas que parecem estar bem no convívio social, mas se sentem deprimidas. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, alguém pode manter os compromissos, trabalhar e encontrar amigos enquanto enfrenta dificuldades que nem sempre reconhece como sintomas.
O termo não é um diagnóstico oficialmente reconhecido. Ainda assim, as buscas pela expressão cresceram 50% nos últimos cinco anos, segundo a reportagem publicada neste sábado (17). A pesquisadora Olivia Remes, da Universidade de Cambridge, alerta que o nome pode ajudar a identificar o sofrimento, mas também simplificar uma experiência complexa.
Sinais que podem passar despercebidos
A depressão pode causar tristeza persistente ou perda de interesse por atividades antes prazerosas. Esses sintomas podem durar semanas ou meses e afetar o sono, os relacionamentos, o trabalho e a rotina. Por isso, continuar cumprindo tarefas não significa, por si só, que a pessoa esteja bem.
Dados sobre a expressão e a depressão, com origens distintas
- 50%Buscas pela expressãoAumento nos últimos cinco anos
- 322 milhõesPessoas com depressãoEstimativa mundial atribuída à OMS
- até 40%Forma atípicaEntre pessoas com depressão, segundo estudos
De acordo com os estudos citados na reportagem, até 40% das pessoas com depressão apresentam uma forma considerada atípica. Nesses casos, elas podem comer ou dormir mais do que o habitual, em vez de menos. O humor também pode melhorar temporariamente após uma experiência positiva.
Remes aponta outras mudanças que merecem atenção: encontros e passatempos passam a parecer obrigações, o cansaço aumenta e críticas ou rejeições machucam mais do que antes. Algumas pessoas cancelam compromissos nos dias em que se sentem pior, embora em outras ocasiões pareçam animadas. Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma um diagnóstico.
Por que o sofrimento pode ficar escondido
Algumas pessoas tentam ocultar o que sentem para se adaptar ao convívio social. Outras nem percebem que podem estar deprimidas e atribuem os sintomas a uma rotina agitada ou ao estresse, explica Remes. Expectativas elevadas sobre si mesmas também podem dificultar esse reconhecimento.
O receio de ser julgado, de sobrecarregar outras pessoas ou de sofrer consequências no trabalho e nos relacionamentos pode tornar a conversa mais difícil. Segundo Barney Dunn, professor e psicólogo clínico da Universidade de Exeter, esconder o sofrimento pode aumentar o isolamento e impedir que a pessoa receba ajuda. Remes alerta que sintomas não tratados podem se agravar.
Onde buscar ajuda
Dunn sugere começar compartilhando o que se sente com alguém de confiança e procurar um médico diante das dificuldades. Segundo ele, conversas, antidepressivos e intervenções sociais podem ser medidas eficazes, conforme a avaliação de cada caso.
Para quem apresenta sinais de alerta relacionados ao suicídio, a reportagem informa que o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo 188, 24 horas por dia, além de chat e e-mail. Jovens de 13 a 24 anos também podem recorrer ao chat Pode Falar, da Unicef.
Com informações de g1.

