Análise genética encontrou mecanismos de reparação celular semelhantes aos de tartarugas mais jovens.
Jonathan, uma tartaruga-gigante de 194 anos que vive na ilha de Santa Helena, no Atlântico, preserva mecanismos celulares associados à reparação do DNA. A descoberta foi descrita em um estudo publicado em 7 de outubro na revista científica Science Advances.
Considerado o animal terrestre mais longevo do mundo, Jonathan chamou a atenção de pesquisadores por ter ultrapassado a expectativa de vida de sua espécie. Para investigar sua longevidade, uma equipe internacional analisou seu genoma e as marcas químicas que regulam a atividade de seus genes.
O que os pesquisadores encontraram
A equipe comparou amostras de Jonathan com as de outras quatro tartarugas-gigantes-das-Seychelles, de diferentes idades. Segundo o estudo, ele não apresenta sinais de deterioração genética e mantém estáveis mecanismos ligados ao reparo do DNA e ao metabolismo, de modo semelhante ao observado em animais mais jovens da mesma espécie.
Os pesquisadores também examinaram o metiloma, conjunto de marcas químicas que ajuda a determinar quais genes ficam ativos nas células. Em Jonathan, encontraram pouca variação nessas marcas em genes relacionados à produção de energia, ao processamento de RNA e à reparação do genoma. A análise aponta ainda variantes associadas ao controle da inflamação, à regulação da insulina e à supressão do câncer.
A vida de Jonathan em Santa Helena
Jonathan foi levado das Ilhas Seychelles para Santa Helena em 1882, como presente a William Grey Wilson, que depois se tornou governador da ilha. De acordo com a reportagem do g1, a tartaruga tinha cerca de 50 anos ao chegar e vive desde então nos jardins da residência do governador.
Idade e trajetória da tartaruga-gigante descritas na reportagem.
- 194 anosIdade de JonathanAnimal terrestre mais longevo do mundo
- 144 anosEm Santa HelenaVive nos jardins da residência do governador
- 50 anosIdade ao chegarFoi levado das Ilhas Seychelles
Os cientistas obtiveram material genético por meio de uma raspagem na bochecha e de uma coleta de sangue pela boca. Para realizar o procedimento, atraíram Jonathan com comida até que ele abrisse as mandíbulas. Os autores esperam que o estudo de sua resistência ao envelhecimento ajude futuras pesquisas, mas a análise não apresenta um tratamento para pessoas.
Com informações de g1.
Foto de capa: A.Savin/Wikimedia Commons (FAL)

