Cientistas investigam células e terapias genéticas para ampliar o tempo de vida com saúde; segurança ainda é um obstáculo.
Cientistas investigam, em laboratórios de diferentes países, formas de ampliar o tempo de vida com saúde. As pesquisas buscam entender o envelhecimento celular, corrigir alterações genéticas e desenvolver tratamentos para doenças. Especialistas ouvidos pela série Código da Vida, do g1, alertam, porém, que esses avanços não significam que seja possível interromper o envelhecimento.
O debate sobre longevidade ganhou atenção com o investimento de empresários em pesquisas e rotinas voltadas a retardar os efeitos da idade. Um dos casos citados pelo g1 é o do americano Brian Johnson, que combina dietas, suplementos e exames na tentativa de reduzir sua idade biológica. Para os especialistas, promessas de fazer pessoas viverem 140 anos ou mais têm pouco respaldo nas evidências científicas atuais.
O que os laboratórios investigam
Parte das pesquisas se concentra nas mitocôndrias, estruturas que produzem energia para as células. Outra linha tenta identificar e eliminar células senescentes, que perdem sua função normal, mas permanecem no organismo e se acumulam com o passar do tempo. Os cientistas estudam o papel dessas alterações no processo de envelhecimento.
A edição genética é uma frente distinta: seu objetivo é corrigir mutações no DNA associadas a doenças hereditárias. Em alguns estudos, os pesquisadores tentam modificar uma única parte do código genético para recuperar o funcionamento das células. Segundo o g1, a correção de erros genéticos já apresentou resultados animadores em doenças raras, e equipes nos Estados Unidos trabalham em tratamentos experimentais para doenças hereditárias da visão.
Novas moléculas e possíveis tratamentos
Pesquisadores também desenvolvem XNAs, moléculas com funções semelhantes às do DNA, mas com outra estrutura química. A expectativa é que elas possam contribuir para a criação de medicamentos e terapias. Na xenobiologia, outra área de investigação, cientistas estudam proteínas artificiais feitas com aminoácidos produzidos em laboratório.
De acordo com os pesquisadores citados pelo g1, essas proteínas poderão ter aplicações no tratamento de doenças degenerativas, na produção de antibióticos e em estudos sobre o envelhecimento celular. São possibilidades em investigação, não tratamentos de longevidade já disponíveis.
Segurança ainda limita os avanços
A maior parte dessas tecnologias permanece em fase experimental. Além de verificar se uma intervenção funciona, os pesquisadores precisam demonstrar que ela é segura antes de seu uso em larga escala. Essa cautela se aplica especialmente às terapias que alteram ou transportam material genético para as células.
Em dois estudos na China com variantes da técnica CRISPR, pacientes morreram poucos dias após receber tratamentos experimentais. Segundo pesquisadores citados pelo g1, o problema esteve relacionado aos vírus modificados usados para levar as moléculas terapêuticas até as células. Os episódios mostram os riscos que ainda precisam ser enfrentados nessa área.
Qual é o objetivo das pesquisas
Para os cientistas ouvidos pelo g1, a meta mais realista é prolongar o período de vida com saúde, e não tornar as pessoas imortais. Eles esperam que, nas próximas décadas, tratamentos genéticos ajudem a prevenir doenças, corrigir mutações e oferecer intervenções mais precisas e duradouras. Antes disso, as técnicas precisarão superar os obstáculos de eficácia e segurança identificados nas pesquisas.
Com informações de g1.
Foto de capa: The U.S. Food and Drug Administration/Wikimedia Commons (Public domain)

