Consuelo Walss-Bass relaciona a experiência de sua família a pesquisas sobre genética e ambiente.
A geneticista Consuelo Walss-Bass passou mais de 20 anos estudando transtornos psiquiátricos enquanto tentava entender uma questão de sua própria família: por que sua irmã Paty desenvolveu esquizofrenia e ela, não? As duas cresceram na mesma família, entre o México e os Estados Unidos, e a mãe delas também tinha a condição.
Em entrevista à BBC News Mundo publicada pelo g1 em 17 de outubro de 2026, Walss-Bass disse que a resposta não está em um único gene. Segundo ela, é preciso investigar tanto as diferentes combinações genéticas herdadas por cada pessoa quanto suas experiências de vida.
O que a genética pode explicar
Walss-Bass afirma que são conhecidos 287 genes que contribuem para a esquizofrenia. Cada pessoa, porém, herda uma combinação diferente, o que ajuda a explicar por que irmãos não têm necessariamente o mesmo quadro. A pesquisadora diz que seu trabalho busca entender quais combinações estão associadas a determinados sintomas e quais podem estar ligadas a uma maior resistência à doença.
Dados citados no relato da geneticista sobre seu trabalho
- 287GenesAssociados à esquizofrenia, segundo Walss-Bass
- 180Cérebros para estudoGuardados no laboratório que ela dirige
- mais de 20 anosTempo de pesquisaEstudando transtornos psiquiátricos
Bioquímica e geneticista nascida no México, ela é professora de Psiquiatria e Ciências do Comportamento na UTHealth Houston, nos Estados Unidos. Também dirige o Programa de Genética Psiquiátrica da instituição e um laboratório que guarda 180 cérebros para pesquisa. A trajetória científica, conta, sempre esteve ligada à pergunta que fazia sobre Paty.
O papel das experiências de vida
Ao reexaminar a história da irmã para escrever o livro Por que a Minha Irmã?, previsto para 2026, Walss-Bass passou a considerar experiências que Paty viveu desde o início da vida. Segundo seu relato, a mãe não estava bem durante a gravidez nem nos primeiros meses após o nascimento da filha. Mais tarde, Paty passou longos períodos isolada enquanto o pai trabalhava e os irmãos saíam para estudar ou visitar amigos.
A pesquisadora acredita que essas vivências possam ter tido forte impacto, somadas à predisposição genética de Paty. Trata-se de sua interpretação da história familiar, não de uma confirmação sobre a causa da doença da irmã. Walss-Bass também diz que o momento da vida em que uma pessoa passa por um trauma é uma questão que começou a compreender melhor em suas pesquisas.
Sinais que a família não reconheceu
De acordo com Walss-Bass, os primeiros sinais em Paty foram difíceis de distinguir das mudanças comuns da adolescência. A irmã passou a desconfiar que os familiares falavam mal dela, não a amavam ou a ignoravam. Em outra ocasião, disse a Consuelo que achava estar sendo observada.
Na época, a família respondia às suspeitas de Paty, mas não percebeu que ela começava a apresentar sintomas de psicose. Walss-Bass diz que só mais tarde compreendeu o que a irmã tentava comunicar. A pesquisadora ressalta a importância de reconhecer o primeiro episódio da doença e procurar tratamento — uma preocupação marcada também pela experiência que viveu com a mãe.
Com informações de g1.

