Justiça Federal atribuiu a compra de dois apartamentos a recursos do tráfico; defesa nega as acusações
A influenciadora Paula Simões, presa em setembro por suspeita de ligação com a máfia italiana ’Ndrangheta, já havia sido condenada por lavagem de dinheiro na compra de dois apartamentos em São Paulo. Segundo a Justiça Federal, os imóveis foram pagos com recursos do tráfico atribuídos a Patrick Assisi, marido dela e apontado como chefe da organização criminosa no Brasil.
A condenação trata de compras feitas em abril de 2015, por cerca de R$ 1,9 milhão. A defesa de Paula nega as acusações e afirma que nenhuma droga foi apreendida com ela. A prisão de setembro está ligada a uma investigação da Polícia Federal sobre a atuação do grupo após a detenção de Patrick e do pai dele.
O que a Justiça apurou sobre os imóveis
Para a Justiça Federal, registrar os apartamentos em nome de Paula serviu para esconder tanto o proprietário dos bens quanto a origem do dinheiro. Ela afirmou que as compras ficaram em seu nome porque Patrick ainda não tinha CPF. O casal também atribuiu os recursos a uma empresa dos dois, mas a Justiça verificou que ela só foi criada em agosto de 2015, depois das aquisições.
Na sentença, a Justiça considerou que Paula não tinha renda compatível com as compras. A influenciadora disse em depoimento que não teria conseguido adquirir os bens registrados em seu nome sem os recursos de Patrick. Foi determinada a perda de um dos apartamentos, dos direitos creditórios do outro e de valores recebidos com as locações.
Condenação e investigação posterior
Paula e Patrick foram condenados em julho de 2022 a penas superiores a três anos de reclusão, substituídas por outras medidas. Em maio de 2026, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região manteve a condenação e fixou a multa em 11 dias-multa. O casal também foi condenado a prestar serviços à comunidade.
Da compra dos apartamentos à condenação
- abril de 2015Compra dos imóveis
- julho de 2019Prisões de Patrick e Nicola
- julho de 2022Condenação do casal
- maio deste anoCondenação mantida
Patrick e seu pai, Nicola Assisi, haviam sido presos em julho de 2019. A Polícia Federal afirma que, depois disso, Paula passou a coordenar atividades ligadas ao tráfico de cocaína no Brasil, incluindo contatos entre fornecedores sul-americanos e investidores europeus. A corporação baseia parte da investigação em mensagens trocadas entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021.
A defesa contesta essa nova suspeita. Segundo o advogado de Paula, a alegação de que as atividades criminosas continuaram após as prisões de Patrick e Nicola se baseia em inferências da polícia, e não em fatos comprovados.
Com informações de g1.
Foto de capa: Rovena Rosa/Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

