Diretora voltou ao cargo antes da conclusão de processo administrativo; Secretaria de Educação afirma que a apuração é sigilosa.
Professores da Escola Classe Café sem Troco, na zona rural do Distrito Federal, denunciam perseguição e assédio moral por parte da diretora da unidade. Segundo os servidores, os problemas começaram há mais de dois anos e se agravaram após as primeiras denúncias contra a gestão.
A diretora retornou à escola no mês passado, depois de um afastamento iniciado em fevereiro para responder a um processo administrativo. A apuração ainda não havia sido concluída, de acordo com os relatos publicados pelo g1. Procurada, a Secretaria de Educação informou que o processo corre em sigilo.
Afastamento e efeitos na equipe
Em carta enviada à governadora Celina Leão, a equipe da escola relata dificuldades de diálogo, problemas na condução da unidade e possíveis situações de assédio moral. Os servidores afirmam que houve retaliações depois das denúncias. Segundo eles, a volta da diretora piorou as condições de trabalho.
Dos 13 funcionários que denunciaram a conduta da gestora, oito apresentaram atestados médicos, conforme os relatos reunidos pelo g1. Alguns já retornaram ao trabalho; outros continuam afastados. Os servidores atribuem os afastamentos às situações que denunciam, mas essa relação não foi confirmada pela Secretaria de Educação.
Queixas sobre a gestão e as aulas
Os funcionários acusam a diretora de intimidar pessoas que discordam dela e de convocar reuniões individuais para pressioná-las sem a presença de testemunhas. Duas denúncias foram registradas em boletins de ocorrência. Em uma delas, feita em 2025, um educador relata que foi impedido de usar uma sala para atender alunos e passou a trabalhar em um corredor, onde, depois, teriam sido colocados entulhos.
As queixas também alcançam decisões pedagógicas. Os profissionais relatam que, em 2024, receberam uma cartilha de alfabetização produzida pela diretora para substituir livros da Secretaria de Educação. Há ainda relatos de interferência nas aulas, na distribuição das turmas e na aprovação de estudantes do quinto ano. Uma professora afirma que a pressão para não reprovar alunos buscava melhorar a nota da escola no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Essas alegações são dos servidores; a Secretaria classificou como improcedente a denúncia de substituição dos livros por cartilhas próprias.
Respostas e andamento do caso
A Secretaria de Educação não explicou ao g1 por que o processo administrativo ainda não havia sido concluído após o afastamento da diretora. A pasta informou apenas que a apuração é sigilosa.
Segundo a comunidade escolar, os professores também procuraram o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) e receberam orientação jurídica. O sindicato confirmou que se reuniu com eles no fim de setembro, mas não respondeu ao g1 quais medidas tomou depois do encontro.
Com informações de g1.
Foto de capa: Simplus Menegati/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

