Iniciativas buscam reduzir dificuldades de deslocamento após abstenção de 62,7% no primeiro turno.
Brasileiros que vivem no exterior estão organizando caronas e estadias para eleitores que precisam viajar até a seção eleitoral no segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro. A mobilização ocorre após a abstenção chegar a 62,7% entre os eleitores aptos a votar fora do país no primeiro turno, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O custo da viagem e a distância até as urnas estão entre os obstáculos relatados por eleitores. Perfis em redes sociais e uma plataforma na internet passaram a conectar quem precisa de transporte ou hospedagem a brasileiros dispostos a oferecer ajuda. A Justiça Eleitoral informa que a ausência no primeiro turno não impede o voto no segundo.
Distância e custo dificultam o voto
O cadastro de eleitores brasileiros no exterior chegou a 916,5 mil em 2026, um aumento de 31,8% em relação a 2022. Menos de 341,8 mil compareceram às seções no primeiro turno, distribuídas por 186 cidades em 134 países. Para o professor de Geografia Política da Universidade de Brasília Daniel Abreu, a estrutura de votação não acompanhou o crescimento do eleitorado fora do Brasil.
Dados do eleitorado e do primeiro turno de 2026.
- 916,5 milEleitores cadastradosBrasileiros aptos a votar fora do país
- 62,7%AbstençãoNo primeiro turno
- 186Cidades com seçõesSeções eleitorais no exterior
- 134Países com seçõesLocais de votação fora do Brasil

O programador Felipe Costa, que mora em Liverpool, na Inglaterra, enfrentou esse problema. A mulher votava em Londres, a cerca de 350 km da casa do casal, mas a seção dele foi transferida para Edimburgo, na Escócia. Como a família não podia custear as duas viagens, Costa acompanhou a mulher a Londres e não votou no primeiro turno.
| Primeiro turno | Abstenção no exterior |
|---|---|
| 2022 | 56,2% |
| 2026 | 62,7% |
Redes conectam eleitores e voluntários
Para o segundo turno, Costa encontrou pelo perfil Voto Sem Fronteiras uma brasileira que ofereceu estadia na véspera da votação e carona para a mulher dele em Londres, sem custo. Ele pretende ficar em um hostel em Edimburgo. Criado por Tamara Menezes, que mora na Alemanha, o perfil usa um formulário no Instagram para aproximar quem precisa de ajuda de quem tem vaga no carro ou lugar para dormir; havia recebido 90 cadastros até a publicação da reportagem do g1.
Outra iniciativa, o site Voto Lá Fora, reúne mais de 900 anúncios em 29 países, segundo seu criador, Pedro Morel. As ofertas de carona e hospedagem são organizadas por cidade, e os interessados combinam os detalhes diretamente. Nos Estados Unidos, Maria Ribeiro encontrou pela plataforma uma brasileira a quem pretende dar carona até a seção de Nova York.
O que diz a regra eleitoral
Uma resolução do TSE de março de 2026 proíbe que candidatos, partidos ou qualquer pessoa ofereça carona ou refeições gratuitas a eleitores entre o dia anterior e o seguinte à votação. A regra também se aplica fora do Brasil. Segundo o professor de Direito Eleitoral Bruno Lorencini, da Universidade de São Paulo, a hospedagem entra nessa discussão, mas decisões do TSE consideram crime eleitoral a oferta de ajuda feita para influenciar o voto.
Morel afirma que buscou orientação de especialistas, principalmente da área jurídica, para estruturar o site. Segundo ele, a plataforma é apartidária e não condiciona as vagas à escolha do eleitor. O formulário do Voto Sem Fronteiras também se limita a informações de contato e logística, sem perguntar a preferência política de quem se cadastra.
Como fica o segundo turno
Quem deixou de votar no primeiro turno pode comparecer à votação de 25 de outubro, porque os dois turnos são independentes, informa a Justiça Eleitoral. Para eleitores que moram longe das seções, as iniciativas divulgadas na reportagem reúnem ofertas de transporte e hospedagem por meio do perfil Voto Sem Fronteiras e do site Voto Lá Fora.
Com informações de g1.
Foto de capa: Borowskki/Wikimedia Commons (Public domain)

