Deputado e ex-chefe da Polícia Civil foram presos em investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis.
A Polícia Federal (PF) atribui ao deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, a articulação de uma mudança na lei do Rio de Janeiro que permitiu a nomeação de Marcus Vinicius Amim Fernandes para chefiar a Polícia Civil em 2023. A suspeita integra uma investigação sobre um grupo acusado de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis.
Canella e Amim foram presos na quinta-feira (15 de outubro), na oitava fase da Operação Unha e Carne, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a PF, a ocupação de cargos públicos pelo delegado teria ajudado a proteger os negócios do grupo contra fiscalizações e investigações.
Como a lei foi alterada
Antes de assumir a Secretaria Estadual de Polícia Civil, Amim presidiu o Detran-RJ. De acordo com a PF, Canella atuou para indicá-lo aos dois cargos e articulou, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a flexibilização das exigências de tempo de carreira para comandar a polícia.
Amim tinha 21 anos de serviço na instituição, mas 12 anos como delegado. Pela regra anterior, ele ainda não cumpria o tempo mínimo exigido no cargo de delegado. A alteração da Lei Orgânica passou a permitir que fosse considerado o período total de atuação na corporação. A Procuradoria-Geral da República também apontou a articulação política de Canella, citada por Moraes na decisão sobre as prisões.
Pagamentos e contrato sob investigação
A PF apura repasses de R$ 1,821 milhão da ADM Oil à MAMIM Consultoria, empresa ligada a Amim e à mulher dele, entre abril de 2024 e maio de 2026. Os investigadores suspeitam que o contrato de consultoria tenha sido usado para disfarçar pagamentos por proteção institucional.
Outra frente da apuração envolve serviços de reboque contratados pelo Detran-RJ durante a gestão de Amim. Segundo a PF, a dispensa de licitação que beneficiou a empresa Opção Ativa foi indevida. O proprietário da empresa é irmão de um homem apontado pela investigação como ligado a Canella.
Prisões e medidas judiciais
Na oitava fase da operação, foram cumpridos:
Prisões, buscas e suspensão de atividades determinadas na investigação.
- seisMandados de prisão
- 16Buscas e apreensõesMandados cumpridos
- 112Empresas investigadasAtividades econômicas suspensas
- seis mandados de prisão;
- 16 mandados de busca e apreensão;
- uma ordem de suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas.
Além de Canella e Amim, quatro policiais civis foram presos. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores. Um relatório do Coaf citado na investigação aponta que o grupo é suspeito de ter movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre maio de 2020 e março de 2026. As defesas de Canella e Amim informaram que não vão se pronunciar antes de ter acesso aos autos.
Com informações de g1.
Foto de capa: Rovena Rosa/Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

