Paranaense detida em Bali ainda não foi denunciada; a pena dependerá da investigação e de eventual julgamento.
A brasileira Thania Cristina dos Santos, de 36 anos, pode receber uma condenação à prisão perpétua ou à pena de morte na Indonésia após ser presa com cocaína líquida na bagagem. A prisão ocorreu em 6 de outubro de 2026, no aeroporto de Bali. Segundo o advogado Gustavo Paiva, as duas punições são previstas pela legislação indonésia para determinados crimes ligados ao tráfico de drogas.
Natural de Cascavel, no Paraná, Thania foi detida depois que agentes encontraram cerca de 3,6 kg de cocaína líquida em recipientes de produtos de higiene. Ela permanece sob custódia policial enquanto o caso é investigado e, até a publicação da reportagem do g1 em 21 de outubro de 2026, não havia sido formalmente denunciada à Justiça.
Tem pena de morte na Indonésia?
Sim. A legislação da Indonésia permite a pena de morte em determinadas condenações por tráfico de drogas, mas também prevê penas de prisão e prisão perpétua, conforme as circunstâncias do caso, explicou Paiva. A existência dessa punição na lei não significa que ela será aplicada à brasileira.
Informações divulgadas sobre a apreensão e o depoimento à polícia
- sete frascosProdutos usadosXampu e outros itens de higiene
- US$ 50 milPagamento relatadoValor mencionado por Thania à polícia
- 6 de outubroData da prisãoApós o desembarque em Bali
O país não realiza execuções desde 2016, segundo o g1. O Código Penal indonésio prevê condições para converter uma sentença de morte em prisão perpétua; entre os fatores considerados está o comportamento da pessoa condenada.
Qual é a pena por tráfico de drogas na Indonésia?
A pena varia conforme os fatos reconhecidos pela Justiça indonésia. De acordo com Paiva, a quantidade de droga apreendida e o modo como foi transportada poderão pesar na análise do caso de Thania. Ainda não há como afirmar qual seria a punição se ela viesse a ser julgada e condenada.
À polícia, Thania admitiu que levava a droga e disse que receberia US$ 50 mil para entregá-la a outra pessoa em Bali, conforme a reportagem do g1. O advogado afirmou que essa declaração também poderá ser considerada pela Justiça. As autoridades locais investigam as circunstâncias do transporte e a eventual participação de outras pessoas.
Brasileiros já foram condenados à morte na Indonésia?
Sim. Dois brasileiros condenados por tráfico de drogas foram executados no país em 2015: Marco Archer Cardoso Moreira, em janeiro, e Rodrigo Gularte, em abril, segundo o g1. Esses casos não determinam o resultado de uma eventual ação contra Thania.
Há também o caso de Manuela Vitória de Araújo Farias, presa em Bali em 2022 com aproximadamente quatro quilos de cocaína. Ela recebeu uma pena de 11 anos de prisão. Paiva citou os processos anteriores para mostrar que as condenações podem ser diferentes.
O que acontece agora no caso da brasileira presa em Bali?
A investigação ainda precisa ser concluída. Segundo Paiva, o caso deverá então seguir para a Procuradoria, que decidirá se apresenta uma denúncia formal por tráfico internacional de drogas. Só depois dessa etapa poderá haver um julgamento.
O advogado estima que o percurso entre a prisão e uma possível condenação definitiva leve de um ano a um ano e meio. Trata-se de uma previsão, não de um prazo confirmado: o tempo dependerá do andamento do caso.
A brasileira recebe assistência consular?
Sim. O Itamaraty informou ao g1 que presta assistência consular a Thania. Paiva relatou que representantes do serviço consular brasileiro conseguiram conversar com ela durante a detenção em Bali.
Segundo o advogado, a brasileira disse estar calma. Ela segue em uma unidade policial enquanto as autoridades indonésias apuram o caso.
Foto de capa: Cindi CGJ/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

