Investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, teve pedido de prorrogação por 90 dias.
A Polícia Federal apontou uma diferença entre os valores enviados ao exterior e os registrados como entrada no Brasil em documentos apresentados pela produtora de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a PF, mais de US$ 12 milhões saíram do país por meio do fundo Havengate, enquanto US$ 2,8 milhões retornaram.
Na sexta-feira, 16 de outubro, a PF pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 90 dias para investigar o financiamento do longa. A apuração examina pagamentos feitos pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o papel de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, nesse financiamento. A divergência consta dos documentos entregues para justificar a prorrogação.
O caminho do dinheiro
De acordo com a investigação, os recursos saíram da Entre Investimentos, empresa ligada a Vorcaro, e foram enviados ao Havengate, fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A PF classificou como severa a divergência contábil encontrada nos documentos da produtora.
Dados informados pela Polícia Federal sobre a movimentação investigada e o pedido ao STF.
- Mais de US$ 12 milhõesEnviados ao exteriorSegundo a PF
- US$ 2,8 milhõesEntrada no BrasilValor registrado, segundo a PF
- 90 diasProrrogação solicitadaPedido feito ao STF
| Movimentação registrada pela PF | Valor |
|---|---|
| Recursos enviados ao exterior | Mais de US$ 12 milhões |
| Entrada registrada no Brasil | US$ 2,8 milhões |
Uma das linhas de investigação busca esclarecer se o dinheiro enviado ao fundo foi usado para financiar o filme ou se a produção foi utilizada para encobrir outra destinação dos recursos. A PF ainda apura o percurso dos valores; a diferença identificada nos registros não estabelece, por si só, como eles foram utilizados.
Custos declarados pela produtora
Em junho, a Go UP Entertainment, responsável pelo longa, declarou um custo de ao menos R$ 75,1 milhões. A informação consta de um documento anexado a um inquérito da Polícia Civil que investiga Karina Ferreira da Gama, dona da produtora.
| Local dos gastos declarados | Valor |
|---|---|
| Exterior | R$ 54 milhões |
| Brasil | R$ 20,9 milhões |
Em nota, a defesa da Go UP afirmou que uma perícia demonstrará a legalidade da captação dos recursos para o filme. Os valores declarados pela empresa integram a documentação analisada nas investigações.
Outras frentes da apuração
Além de seguir os repasses associados a Vorcaro e o papel de Flávio Bolsonaro, os investigadores analisam outras possíveis destinações dos recursos. As frentes citadas na investigação são:
- Repasses feitos por Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro;
- Possível uso de parte do dinheiro para custear Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos;
- Destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à dona da produtora.
Eduardo Bolsonaro negou ter recebido recursos do fundo ligado a Vorcaro. Ele disse ter investido US$ 50 mil no projeto e recebido o valor de volta posteriormente, mas negou que o reembolso tenha passado pelo fundo. Um contrato divulgado anteriormente o identificava como produtor-executivo do filme.
Emendas investigadas no STF
Uma investigação sob responsabilidade do ministro Flávio Dino examina o envio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas pelo deputado Mario Frias a entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama. A apuração começou após um pedido da deputada Tabata Amaral ao STF e envolve o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, presididos por Karina. A Go UP Entertainment não foi alvo dos mandados de busca nessa frente.
Mario Frias, que atua como roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”, afirmou ao STF em maio que as emendas destinadas às organizações não financiaram o filme. Essa apuração sobre recursos públicos é distinta da análise da PF sobre os valores enviados ao exterior.
Com informações de g1.
Foto de capa: Rovena Rosa/Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

