Investigação aponta a participação de funcionários e o uso de áreas restritas para levar entorpecentes até voos nacionais e internacionais.
Uma investigação da Polícia Federal revelou diferentes caminhos usados para levar drogas a voos nacionais e internacionais no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Segundo reportagem publicada pelo g1 em 20 de outubro de 2026, funcionários participaram de operações que fizeram os entorpecentes circular por áreas de serviço e pontos de acesso restrito do terminal.
Em um dos flagrantes, policiais prenderam um funcionário após uma perseguição no telhado do aeroporto e encontraram uma mala com 33 quilos de cocaína. A PF apura como grupos criminosos recrutaram trabalhadores e exploraram falhas operacionais para transportar as cargas pelo terminal.
Como funcionava o tráfico de drogas no aeroporto de Guarulhos
A investigação descreve mais de um caminho para movimentar drogas dentro do aeroporto. Em uma operação acompanhada pela PF, dois auxiliares de transporte entraram com mochilas que continham entorpecentes e se encontraram com um funcionário da limpeza em um vestiário sem câmeras.
Sequência de uma operação acompanhada pelos agentes no aeroporto de Guarulhos.
- 1Entrada das mochilasDois auxiliares chegaram com drogas.
- 2Encontro no vestiárioEncontraram um funcionário da limpeza.
- 3Passagem pela fiscalizaçãoMochilas em sacos de lixo não foram detectadas.
- 4Entrega ao passageiroPassageiro recebia a mochila e seguia viagem.
De acordo com a apuração, o funcionário saiu do local com as mochilas dentro de sacos de lixo, que passaram pela fiscalização sem serem detectados. Depois, um passageiro recebia uma mochila e seguia viagem com a carga. Os agentes registraram o mesmo trabalhador repetindo a operação em outra ocasião.
Qual era o papel dos funcionários investigados
Funcionários de diferentes atividades aparecem nos episódios descritos pela PF. Além dos auxiliares de transporte e do trabalhador da limpeza, a investigação registra o caso do empregado preso no telhado com a mala de cocaína. As apurações apontam o uso de espaços de trabalho e de circulação restrita para movimentar os entorpecentes.
Em outro episódio, a droga foi levada na caçamba de uma viatura da concessionária que administra o aeroporto e escondida em uma área restrita chamada casa de máquinas. O relato da investigação não identifica, nesse caso, quem colocou a carga no veículo.
Que outras rotas foram identificadas pela Polícia Federal
A PF também flagrou criminosos cortando uma cerca para introduzir drogas no terminal. Segundo a investigação, a carga foi transferida para um carrinho normalmente usado no transporte de bagagens até as aeronaves. Os episódios mostram que a apuração não se limita às malas levadas por passageiros.
Para os investigadores, os grupos combinavam a participação de funcionários com o uso de brechas na operação do aeroporto. A PF afirma que pretende ir além das prisões em flagrante e identificar quem comandava a logística das cargas destinadas a voos internacionais.
Foto de capa: Andomenda/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

