Cálculo feito com imagens de câmeras não substitui a perícia da Polícia Civil; batida com ônibus deixou três mortos.
Um Fiat Fastback envolvido em uma batida que matou três jovens em Campinas (SP) pode ter passado a 180 km/h antes de atingir um ônibus, segundo uma estimativa feita pelo físico Leandro Tessler, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O acidente ocorreu em 18 de outubro de 2026, no cruzamento da Avenida José de Souza Campos, conhecida como Norte-Sul, com a Rua Mogi Guaçu, na região do Taquaral.
Tessler apresentou o cálculo em 20 de outubro de 2026, a partir de imagens de câmeras de segurança. Não se trata de uma perícia: a Polícia Civil ainda apura a velocidade dos veículos e investiga a suspeita de racha. Dois ocupantes de um segundo carro que aparece nas imagens negaram ter participado de uma corrida.
Qual era a velocidade dos carros no acidente em Campinas?
O Fastback pode ter trafegado a 180 km/h antes da colisão, de acordo com a análise de Tessler. A estimativa tem uma margem de incerteza de 20 km/h, pois foi obtida com imagens de câmeras. Na Avenida Norte-Sul, o limite informado pelo g1 é de 60 km/h.
Estimativas por imagens, limite da avenida e velocidade informada para o ônibus
- 180 km/hFastbackEstimativa com margem de 20 km/h
- 85 km/hFord FocusEstimativa aproximada
- 60 km/hLimite da avenida
- 40 km/hÔnibusSegundo sindicato das empresas
O físico calculou ainda que um Ford Focus visto nas gravações estaria a aproximadamente 85 km/h. Já o sindicato das empresas de ônibus informou que o coletivo atingido seguia a 40 km/h, dentro do limite da via. A Polícia Civil fará seus próprios laudos para verificar as velocidades.
Como aconteceu a batida na Avenida Norte-Sul?
O Fastback atingiu a lateral de um ônibus do transporte público da linha 260 no cruzamento com a Rua Mogi Guaçu. Lucas Jacuneli e Caio Tauã Amorim da Silva morreram no local, segundo o g1. Muryllo Henrique Costa de Oliveira foi levado pelo Samu ao Hospital Mário Gatti, mas morreu em 19 de outubro de 2026.
Os três ocupantes do carro tinham 23 anos. Tessler explicou que a velocidade do veículo, combinada com o peso do carro e de seus ocupantes, ajuda a entender a intensidade da deformação provocada pela colisão. Essa explicação física, porém, não determina se havia uma disputa entre motoristas.
Houve racha em Campinas?
A participação dos carros em um racha ainda não foi confirmada. A Polícia Civil examina as gravações e outros materiais para esclarecer o que ocorreu antes da batida. O Focus foi apreendido em 19 de outubro de 2026 e será periciado, inclusive para verificar possíveis modificações no motor.
De acordo com o g1, três jovens estavam no Focus. Dois prestaram depoimento e disseram que os ocupantes do Fastback fizeram um gesto que interpretaram como convite para uma corrida, mas negaram ter disputado um racha. O terceiro ocupante ainda deverá ser ouvido.
As imagens mostram o motorista do Focus dando ré e saindo do local depois da colisão. Segundo o delegado Gabriel Job Silveira, os dois jovens ouvidos disseram que foram embora porque ficaram assustados. A polícia também apura se a saída pode configurar omissão de socorro e reteve celulares dos envolvidos para a investigação.
O que é racha?
Racha é uma corrida ilegal entre veículos, também chamada de pega, conforme o material de referência sobre o tema. Ela pode ser combinada antes ou surgir de um encontro entre motoristas. A definição ajuda a entender o que a polícia investiga em Campinas, mas o relato de um possível convite não comprova, por si só, que os carros disputavam uma corrida.
Foto de capa: Fasouzafreitas/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

