Líderes partidários avaliam o distrital misto e o distritão, mas ainda não há acordo sobre uma proposta.
Partidos do Centrão querem discutir ainda neste ano uma mudança na forma de eleger deputados federais. Segundo o g1, a articulação ganhou força após as eleições para a Câmara e o Senado: o PL elegeu 121 deputados para a próxima legislatura, a maior bancada de um partido desde 1988.
Na quarta-feira (14), líderes e presidentes de 10 partidos se reuniram com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar do tema. A intenção de integrantes do Centrão é conter a perda de cadeiras para siglas de direita, especialmente o PL, mas os partidos ainda divergem sobre qual modelo adotar.
Os modelos em discussão
Hoje, a distribuição de vagas na Câmara considera a votação recebida pelos partidos. Entre as alternativas debatidas está o distrital misto, defendido principalmente por presidentes de siglas. Nesse modelo, os estados seriam divididos em distritos: metade das vagas iria para os candidatos mais votados em cada área, e a outra metade seria preenchida com base em listas definidas previamente pelos partidos.
A outra proposta é o distritão, apoiado por parte dos deputados e pelo Podemos. Nele, seriam eleitos os candidatos mais votados, sem a distribuição de vagas pelo resultado dos partidos. Dirigentes partidários resistem à ideia por avaliarem que ela reduziria o poder das siglas e favoreceria candidatos com grande presença nas redes sociais.
Um projeto de lei sobre o distrital misto já tramita na Câmara, com relatoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE). Já a adoção do distritão exigiria uma proposta de emenda à Constituição, segundo o g1.
Por que não há acordo
Integrantes do Centrão ouvidos pelo g1 avaliam que o sistema atual favorece candidatos capazes de atrair muitos votos para as siglas. A discussão também é vista por lideranças como uma tentativa de preservar o espaço dos partidos que perderam cadeiras para o PL.
Mesmo entre os interessados na mudança, não há consenso. Cada partido tende a defender o formato que considera mais favorável, e dirigentes e parlamentares de uma mesma sigla nem sempre concordam. Alguns deputados querem avançar ainda nesta legislatura, por avaliarem que a negociação ficará mais difícil a partir de 2027, quando a nova bancada assumirá.
Próximos encontros
Uma nova reunião de líderes aliados de Motta está prevista para a próxima terça-feira, na residência oficial da Presidência da Câmara. A expectativa é organizar as propostas e começar a elaboração de um texto. Depois, os presidentes dos partidos devem se encontrar em 28 de outubro.
Dados e prazos citados nas discussões entre os partidos.
- 121Bancada eleita pelo PLDeputados para a próxima legislatura
- 10Partidos na reuniãoLíderes e presidentes participaram
- 28 de outubroEncontro de presidentesReunião prevista entre dirigentes partidários
- 2027Nova legislaturaDeputados preveem negociação mais difícil

Parte dos parlamentares defende a participação do Senado e de seu presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), desde o início das conversas. O objetivo é buscar um acordo entre as duas Casas antes de levar adiante uma proposta. Por enquanto, não há definição sobre qual sistema será escolhido nem garantia de que a mudança será aprovada.
Com informações de g1.
Foto de capa: Carlos Moura/Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

