Pesquisadores aumentaram a produção de hemoglobina fetal em células de laboratório, mas a estratégia ainda não foi testada em pacientes.
Um estudo publicado na revista Nature identificou uma proteína que limita a produção de hemoglobina fetal e pode se tornar alvo de pesquisas sobre o tratamento da anemia falciforme. A análise reuniu dados genéticos de 28.279 pessoas e teve participação de pesquisadoras da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A descoberta foi noticiada pelo g1 em 28 de outubro de 2026.
A proteína, chamada BACH2, funcionou como um freio para a produção de hemoglobina fetal. Ao reduzir sua ação em células cultivadas em laboratório, os cientistas elevaram os níveis dessa hemoglobina, que pode amenizar os efeitos da anemia falciforme. Ainda não há comprovação de que a estratégia seja segura ou eficaz em pacientes.
Como a descoberta pode ajudar no tratamento da anemia falciforme
A descoberta indica uma nova forma de investigar o aumento da hemoglobina fetal, mas não representa um tratamento disponível. Segundo os pesquisadores, pessoas com níveis mais altos dessa hemoglobina podem apresentar melhora no quadro de anemia falciforme.
Análise genética que ajudou a identificar o papel da BACH2
- 28.279ParticipantesDados genéticos analisados
- 91Associações genéticasAssociações independentes identificadas
- 12Regiões do genomaRegiões com associações genéticas
| Proteína | Papel observado no estudo |
|---|---|
| BACH2 | Restringe a produção de hemoglobina fetal |
| NRF2 | Sua ativação é limitada pela BACH2 |
| BCL11A | Regula a hemoglobina fetal por outro mecanismo |
Nos experimentos, reduzir BACH2 e BCL11A ao mesmo tempo produziu um aumento de hemoglobina fetal maior do que reduzir cada proteína separadamente. Os pesquisadores afirmam, porém, que os testes em células não demonstram a segurança nem a eficácia dessa abordagem em pessoas.
O que é anemia falciforme e o que ela causa
A anemia falciforme é uma doença hereditária em que uma alteração na hemoglobina deforma os glóbulos vermelhos. A hemoglobina é a proteína dessas células responsável por transportar oxigênio pelo organismo. De acordo com o material de referência sobre a doença, a forma alterada, chamada hemoglobina S, pode fazer as células assumirem um formato semelhante ao de uma foice.
A hemoglobina fetal predomina durante a gestação e é gradualmente substituída pela forma adulta. Como a hemoglobina adulta funciona de modo anormal na anemia falciforme, estimular a produção da forma fetal é uma possibilidade estudada pelos cientistas. A pesquisa também aponta interesse nessa estratégia para a beta-talassemia, outra doença hereditária do sangue.
Quais são os sintomas da anemia falciforme
Os sintomas podem começar entre os 5 e 6 meses de idade, conforme o material de referência. Entre os problemas associados à doença estão anemia, crises de dor, infecções bacterianas e acidentes vasculares cerebrais. Algumas pessoas também desenvolvem dor crônica ao longo da vida.
A gravidade não é igual para todos. O material de referência descreve variações entre os pacientes e aponta que a doença pode provocar complicações importantes; os resultados do novo estudo não permitem prever como cada pessoa responderia a uma futura terapia.
Como diagnosticar anemia falciforme
O diagnóstico é feito por exame de sangue, segundo o material de referência. A condição também pode ser identificada durante a gravidez, e há países que examinam os bebês ao nascer.
A doença ocorre quando a pessoa herda duas cópias alteradas do gene da hemoglobina, uma de cada progenitor. Quem herda apenas uma cópia geralmente não apresenta sintomas e tem o chamado traço falciforme, conforme o material de referência.
Anemia falciforme tem cura? Como é o tratamento?
O tratamento pode incluir prevenção de infecções, controle da dor, transfusões de sangue e uso de hidroxiureia, de acordo com o material de referência. Ele também aponta que um pequeno percentual de pessoas pode ser curado com transplante de células da medula óssea.
A redução da BACH2 não faz parte dessas opções descritas. O resultado divulgado na Nature ajuda a explicar como a hemoglobina fetal é controlada, mas ainda são necessárias pesquisas antes que o mecanismo possa ser considerado uma alternativa para pacientes.
Foto de capa: Hector.carvalho/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)





