Pesquisa com pessoas que relatavam falhas de memória investiga se o eletroencefalograma pode complementar a avaliação de risco.
Uma pesquisa conduzida no Instituto do Cérebro do Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris, encontrou uma associação entre ondas cerebrais registradas durante a vigília e o acúmulo posterior de uma proteína ligada ao Alzheimer. Os resultados foram apresentados em reportagem do g1 publicada em 21 de outubro de 2026.
Entre os participantes que não tinham placas da proteína beta-amiloide no início do acompanhamento, aqueles com ondas lentas de maior amplitude acumularam mais depósitos depois. Os pesquisadores investigam se esse sinal pode ajudar a identificar pessoas com maior risco, mas afirmam que são necessários novos estudos antes de usar a medida na prática clínica.
Como foi feito o estudo sobre ondas cerebrais
A equipe analisou dados de cerca de 300 participantes entre 70 e 85 anos. Todos relatavam problemas de memória, embora tivessem resultados normais nos testes neuropsicológicos. Eles passaram por avaliação cognitiva, eletroencefalograma (EEG) em repouso e exames de imagem; a avaliação foi repetida dois anos depois.
Pesquisa acompanhou pessoas com queixas de memória e testes neuropsicológicos normais.
- cerca de 300ParticipantesDados analisados pela equipe
- entre 70 e 85 anosFaixa etáriaIdade dos participantes
- dois anosNova avaliaçãoIntervalo até a repetição dos exames
O EEG registra, na superfície do crânio, a atividade elétrica do cérebro. Segundo os pesquisadores, ondas lentas parecidas com as observadas durante o sono também aparecem quando a pessoa está acordada, especialmente após esforço cognitivo, em tarefas de alta concentração ou em situações de privação de sono. O estudo examinou a relação dessas ondas com depósitos de beta-amiloide e sinais de neurodegeneração.
O que é Alzheimer e como a doença afeta o cérebro
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que se desenvolve gradualmente e é a forma mais comum de demência, segundo o verbete sobre a doença na Wikipédia. Seu mecanismo está associado a alterações no cérebro, entre elas o acúmulo de placas e a formação de estruturas anormais dentro das células nervosas.
A pesquisa em Paris examinou especificamente depósitos de beta-amiloide, um dos marcadores associados à doença. Encontrar esse marcador, porém, não significa necessariamente que a capacidade cognitiva da pessoa vá piorar: de acordo com o pesquisador Pierre Champetier, algumas pessoas apresentam biomarcadores e permanecem estáveis.
Quais são os sintomas iniciais do Alzheimer
A dificuldade para lembrar acontecimentos recentes é o sintoma inicial mais comum do Alzheimer, de acordo com o material de referência. No começo, essas falhas podem ser confundidas com mudanças do envelhecimento ou com estresse. Com a evolução da doença, podem surgir dificuldades de linguagem, desorientação, alterações de humor e perda de autonomia nas tarefas cotidianas.
A equipe francesa também chama atenção para problemas de atenção e distúrbios do sono em pessoas com doenças neurodegenerativas. Isso não quer dizer que uma falha de memória ou uma noite mal dormida, isoladamente, indique Alzheimer: no estudo, todos os voluntários tinham queixas de memória, mas seus testes neuropsicológicos iniciais eram normais.
Como o Alzheimer é diagnosticado
O diagnóstico do Alzheimer considera um conjunto de informações, e não apenas o resultado de um exame, explica Champetier. O médico avalia as queixas da pessoa, o desempenho em testes cognitivos, as observações da família e, quando usados, biomarcadores e exames de imagem, como ressonância magnética e PET scan.
As ondas lentas medidas por EEG não são um teste diagnóstico estabelecido para a doença. Segundo o pesquisador, elas também podem mudar por outros motivos. Se a associação encontrada for confirmada, o EEG poderá acrescentar informações aos métodos existentes, sem substituí-los.
Alterações no sono podem indicar Alzheimer?
Alterações no sono, por si só, não indicam Alzheimer. Champetier afirma que distúrbios crônicos, como insônia persistente, estão associados a maior risco de diferentes doenças neurodegenerativas, não apenas dessa doença. Algumas mudanças no sono fazem parte do envelhecimento; outras merecem avaliação médica, especialmente quando passam a afetar a rotina.
O pesquisador cita como exemplos uma pessoa que antes dormia bem e passa a acordar sistematicamente de madrugada e a apneia do sono, que pode permanecer sem diagnóstico por anos. A relação entre sono, ondas cerebrais e risco de Alzheimer ainda é objeto de pesquisa.
Perguntas frequentes
Alzheimer tem cura?
Não há tratamento capaz de interromper ou reverter a progressão do Alzheimer, segundo o material de referência. Champetier afirma que terapias com anticorpos antiamiloides mostraram benefícios modestos, mas apresentam riscos e não são aprovadas em todos os países.
Alzheimer é hereditário?
As causas da doença ainda não são totalmente compreendidas. Fatores genéticos participam do risco, mas o material de referência também aponta outros fatores associados, como hipertensão arterial e antecedentes de lesões na cabeça.
Existe Alzheimer precoce?
Sim. A doença geralmente começa após os 65 anos, mas o material de referência informa que 4% a 5% dos casos têm início precoce.
Alzheimer mata?
Sim. O Alzheimer progride ao longo do tempo e, em fases avançadas, pode levar à perda do controle de funções corporais e à morte, conforme o material de referência.
Foto de capa: Mbzt/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

