A alteração genética aumenta o risco de diferentes tipos de câncer; acompanhamento busca detectar tumores em estágio inicial.
A atriz Isabel Teixeira revelou ter sido diagnosticada com a síndrome de Li-Fraumeni, condição genética hereditária que aumenta o risco de desenvolver diferentes tipos de câncer. Segundo reportagem do g1 publicada em 20 de outubro de 2026, a descoberta levou a artista a mudar hábitos de vida, passar por cirurgias preventivas e ampliar o acompanhamento médico.
O histórico de câncer na família motivou a investigação: a mãe da atriz morreu da doença em 2006, depois de ela já ter perdido a avó pela mesma causa. O diagnóstico identifica uma predisposição, não significa que a pessoa tenha câncer nem que necessariamente desenvolverá um tumor.
O que é a síndrome de Li-Fraumeni?
A síndrome de Li-Fraumeni é uma condição hereditária associada ao aumento do risco de câncer ao longo da vida. De acordo com a reportagem, ela está ligada a alterações no gene TP53, responsável pela produção de uma proteína que ajuda a identificar falhas durante a divisão das células.
Quando essa proteção não funciona adequadamente, cresce a possibilidade de surgirem tumores. Segundo o material de referência sobre a síndrome, sua transmissão ocorre tanto para homens quanto para mulheres: basta herdar uma cópia alterada do gene para ter a predisposição. Herdar o risco, porém, não equivale a receber um diagnóstico de câncer.
Como identificar a síndrome de Li-Fraumeni?
A repetição de casos de câncer na família pode levar à investigação de uma causa genética. Foi esse histórico que fez Isabel Teixeira buscar respostas, segundo o g1; a apuração médica identificou a alteração hereditária.
Depois do próprio diagnóstico, a atriz investigou se os filhos também haviam herdado a condição. O resultado mostrou que a filha tem a síndrome, enquanto o filho não possui a alteração identificada na família. Especialistas ouvidos pela reportagem defendem que perguntas sobre o histórico familiar nas unidades básicas de saúde podem ajudar a reconhecer quem precisa de uma investigação mais aprofundada.
Quais tipos de câncer estão associados à síndrome?
A síndrome de Li-Fraumeni está associada a diferentes tipos de tumor, e não a um único câncer. O material de referência cita, entre eles:
- Sarcomas e câncer de osso ou de tecidos moles;
- Leucemias;
- Câncer de mama antes da menopausa;
- Tumores cerebrais e adrenocorticais.
O mesmo material também relaciona à síndrome outros tumores, como câncer de pulmão, câncer de pâncreas e melanoma. Essa variedade é uma das razões pelas quais o acompanhamento de quem tem a predisposição não se limita à observação de um único órgão.
Como funciona o acompanhamento médico?
O acompanhamento busca encontrar alterações antes do aparecimento de sintomas. Segundo os especialistas citados pelo g1, consultas frequentes, exames de imagem, ultrassonografias e análises laboratoriais fazem parte do monitoramento de pessoas com a síndrome.
A reportagem relata o caso de Andréa, auxiliar de farmácia que teve câncer pela primeira vez aos 6 anos e depois enfrentou tumores no rim e no pulmão. Ela segue um protocolo de acompanhamento e não teve novos tumores detectados desde que começou o rastreamento regular. Especialistas afirmam que quem adere ao monitoramento recomendado tem melhores perspectivas de sobrevivência do que quem busca atendimento apenas após o surgimento de sintomas.
Por que a síndrome é estudada no Brasil?
Pesquisadores investigam há anos a presença da síndrome de Li-Fraumeni no país. Segundo o g1, estudos apontam que uma mutação específica teria chegado à região Sul com um imigrante europeu há séculos e se espalhado entre gerações e regiões; essa é uma hipótese sobre a origem da alteração, não uma explicação para todos os casos.
Levantamentos do Instituto Nacional do Câncer citados na reportagem encontraram a mutação em diferentes partes do Brasil, inclusive no Centro-Oeste, onde sua frequência supera a observada em diversos países. Apesar disso, o acesso à testagem genética ainda é limitado para parte da população, segundo os especialistas ouvidos pelo g1.
Foto de capa: amigosdaarte/Wikimedia Commons (Public domain)

