Apuração identifica rotas para movimentar drogas em áreas restritas e investiga malas enviadas em nome de passageiras.
A Polícia Federal investiga a participação de funcionários do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em esquemas para levar drogas a voos internacionais e receber cargas vindas do exterior. A apuração, divulgada pelo g1 em 19 de outubro de 2026, aponta o uso de crachás e acessos a áreas restritas para movimentar as bagagens.
Segundo a PF, as rotas serviam tanto ao envio de cocaína para a Europa quanto à entrada de outras substâncias no Brasil, entre elas skunk. A investigação também tenta identificar quem comanda a operação, além dos trabalhadores suspeitos de atuar dentro do aeroporto.
Como a droga circulava no terminal
Imagens de segurança analisadas pela PF mostram diferentes caminhos usados para transportar os entorpecentes. As ocorrências investigadas envolvem áreas de serviço, espaços sem câmeras e pontos próximos à movimentação de bagagens:
- Uma cerca do perímetro foi cortada para passar pacotes a carrinhos que levam bagagens às aeronaves.
- Mochilas entraram por portões de serviço e foram repassadas em um vestiário antes de seguir em sacos de lixo.
- Em outro caso, drogas foram transportadas na caçamba de um veículo da concessionária até uma casa de máquinas.
Um eletricista que prestava serviços no aeroporto foi preso no telhado do terminal durante uma ação em que a PF apreendeu uma mala com 33 quilos de cocaína. A defesa nega o envolvimento dele com o tráfico e afirma que a bagagem não estava em sua posse no momento da abordagem. Em outra ocorrência, agentes encontraram cocaína em duas malas colocadas em um contêiner com destino a Lisboa; os advogados dos demais acusados não se pronunciaram, segundo o g1.
Malas foram enviadas em nome de passageiras
A investigação também apura o envio de drogas do exterior para Guarulhos em bagagens identificadas com nomes de viajantes. A PF encontrou duas malas abandonadas na esteira do aeroporto, cada uma com 25 quilos de haxixe. Uma estava em nome de Gabriele Amador Silva; a outra, em nome de uma passageira que, segundo a defesa de Gabriele, não a conhecia e vinha de uma viagem diferente.
Gabriele havia viajado a lazer em maio para os Estados Unidos e o Canadá. Durante um voo entre os dois países, sua bagagem foi extraviada e só voltou a ela 18 dias depois, no aeroporto de Toronto. Após retornar ao Brasil, recebeu uma intimação policial relacionada à mala com drogas identificada em seu nome. Sua advogada afirma que o inquérito continua aberto para reunir provas e identificar os responsáveis, não para indiciar as passageiras.
Investigação e segurança
Nos primeiros dez meses de 2026, as apreensões de drogas em Guarulhos chegaram a quase cinco toneladas, recorde histórico do terminal, segundo os dados divulgados pelo g1. Nesse período, 274 pessoas foram presas por tráfico no aeroporto. A PF investiga tanto os funcionários suspeitos quanto pessoas em posições mais altas da cadeia criminosa.
Apreensões, prisões e ocorrências citadas na investigação.
- quase cinco toneladasDrogas apreendidasEm 2026, no aeroporto
- 274Presos por tráficoNos primeiros dez meses do ano
- 33 quilosMala no telhadoCocaína apreendida pela PF
- 25 quilosMalas na esteiraHaxixe encontrado em cada mala

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que estuda a viabilidade de novos investimentos em segurança no aeroporto. A concessionária GRU Airport declarou que mantém a estrutura de vigilância e busca aprimorá-la em cooperação com os órgãos de segurança pública. O delegado Ivo Silva, responsável pela investigação, afirmou que a prevenção também deve fazer parte da resposta ao problema.
Cuidados ao despachar a bagagem
Para facilitar a identificação de uma eventual troca de etiquetas ou de malas, o delegado orienta os passageiros a fotografar a bagagem ao despachá-la. Ele recomenda ainda guardar a etiqueta com a indicação do peso e registrar esse peso em foto. Segundo Silva, esses registros podem ajudar a demonstrar às autoridades qual mala foi efetivamente entregue pelo viajante.
Foto de capa: Andomenda/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

