Projeto da Ufac com uma sorveteria de Rio Branco combina plantas pouco usuais com ingredientes conhecidos.
Picolés feitos com plantas alimentícias não convencionais, as PANCs, passaram a integrar o cardápio de uma sorveteria em Rio Branco, no Acre. Chamados de pancolés, eles são resultado de um projeto de um grupo de estudos da Universidade Federal do Acre (Ufac) com o estabelecimento e foram apresentados em setembro de 2026, durante o Inova Amazônia Summit.
A professora e nutricionista Bruna da Costa Viana Oliveira, uma das idealizadoras, disse ao g1 que a proposta era levar o conhecimento sobre essas plantas para um alimento familiar ao público. Segundo ela, a equipe não conhecia, no Acre, uma linha de picolés dedicada às PANCs. As receitas combinam ingredientes como jambu e vinagreira-roxa com doce de leite e frutas vermelhas.
O que são PANCs
PANCs são plantas alimentícias não convencionais: espécies com potencial de uso na alimentação que não são consumidas em larga escala ou cujo consumo se concentra em determinadas regiões. A classificação também pode abranger partes pouco usadas de plantas conhecidas, como a folha da batata-doce e a flor da bananeira.
O que é considerado não convencional varia conforme o lugar. Uma planta presente na alimentação de uma comunidade pode ser pouco conhecida em outra região. Segundo a referência sobre o tema, parte dessas plantas deixou de aparecer nas refeições de algumas famílias ao longo do tempo, embora continue presente nos hábitos alimentares de comunidades tradicionais.
Quais plantas são usadas nos picolés
O projeto reúne PANCs em sabores doces e em combinações com frutas e outros ingredientes. Bruna contou ao g1 que a equipe precisou testar as receitas para equilibrar características como o formigamento provocado pelo jambu e o gosto azedo da vinagreira.
Entre as combinações citadas pela pesquisadora estão:
- Jambu com doce de leite;
- Vinagreira-roxa com frutas vermelhas;
- Cupuaçu com espinafre;
- Caldo de cana com hortelã e espinafre;
- Manga com gengibre e begônia.
O cardápio também inclui um sabor de suco verde com PANCs. De acordo com Irenice Bertulino, dona da sorveteria, esse é o mais vendido entre os pancolés. A reportagem também cita ora-pro-nóbis e capim-santo entre as plantas usadas nos picolés.
Como surgiu o projeto dos pancolés
Os pancolés nasceram da colaboração entre o grupo de estudos da Ufac e a sorveteria de Irenice, mãe de Bruna. Enquanto a universidade contribuiu com o conhecimento sobre as plantas, o estabelecimento participou da elaboração e dos ajustes necessários para transformá-las em picolés.
Segundo o g1, o grupo da Ufac é coordenado pela vice-reitora Almecina Balbino e pela doutora Marilene Santos. Bruna avalia que oferecer essas plantas em um produto conhecido pode despertar a curiosidade por outros usos culinários e ajudar a recuperar conhecimentos sobre ingredientes que perderam espaço na alimentação.
Quanto custam os pancolés
Os pancolés eram vendidos a partir de R$ 4 na sorveteria de Irenice Bertulino, em Rio Branco, segundo reportagem do g1 publicada em 24 de outubro de 2026. A fonte não informa o endereço do estabelecimento nem detalha os preços de cada sabor.
Irenice relatou que as receitas foram ajustadas para chegar a combinações agradáveis ao paladar sem apagar as características das plantas. Segundo ela, a curiosidade dos clientes ao descobrir esses ingredientes também faz parte da recepção aos picolés.
Como identificar uma PANC
Não existe uma regra visual única para reconhecer uma PANC com segurança. A referência sobre plantas alimentícias não convencionais recomenda consultar fontes confiáveis e um especialista antes de consumir uma planta desconhecida, porque espécies comestíveis podem ser confundidas com outras nocivas à saúde.
O nome popular, sozinho, não basta para fazer a identificação: plantas diferentes podem receber o mesmo nome. Conhecer o nome científico ajuda na pesquisa, mas não substitui a confirmação da espécie antes do consumo.
Foto de capa: Filipe Mesquita de Oliveira –Filipux/Wikimedia Commons (CC BY 2.5)




