Mobilização iniciada em escolas levou multidões às ruas; o movimento de 1968 teve greves e ocupações em todo o país.
Cerca de 500 mil pessoas participaram de protestos na França no fim de semana de 17 e 18 de outubro de 2026, segundo o g1. A mobilização começou com reivindicações de estudantes por mais recursos para escolas e passou a reunir críticas ao custo de vida e aos serviços públicos. Os atos atingiram Paris e outras cidades.
Após episódios de violência e saques, autoridades impuseram toques de recolher em áreas de Paris, Lille e Nice em 19 de outubro de 2026. A dimensão dos protestos traz uma pergunta sobre o Maio de 1968 na França: o que aconteceu naquele movimento estudantil e em que ele difere da mobilização atual? Não há, no material consultado, indicação de que os dois movimentos tenham ligação direta.
Como começaram os protestos na França em 2026?
Os protestos de 2026 começaram em setembro, quando alunos bloquearam o acesso a uma escola na região de Paris para pedir mais recursos, de acordo com o g1. Estudantes de outras instituições aderiram à mobilização, que se espalhou pelo país. Entre as demandas relatadas pelos alunos estavam:
Dados divulgados sobre as manifestações de outubro
- 500 milPessoas nas ruasDurante o fim de semana
- 60 milAgentes mobilizadosNo sábado
- 2.400Pessoas presasNo sábado
- quase 3 milLojas afetadasDurante o fim de semana
- Melhores condições nas salas de aula;
- Mais professores;
- Mais recursos para as escolas.
Professores e outros funcionários públicos também passaram a participar dos atos. Ao longo das semanas, as manifestações incorporaram a insatisfação com o custo de vida, a qualidade dos serviços públicos e o governo do presidente Emmanuel Macron. O movimento ocorreu em meio à discussão da proposta de Orçamento para 2027, que prevê congelar o salário-base dos funcionários públicos.
O que aconteceu nos protestos de outubro de 2026?
Os atos do fim de semana de 17 e 18 de outubro tiveram confrontos, danos ao comércio e prisões, segundo o g1. A Federação do Comércio e Varejo informou que quase 3 mil lojas foram afetadas; Paris, Marselha e Bordeaux aparecem entre as cidades com registros de danos ou saques.
No sábado, 2.400 pessoas foram presas e quase mil policiais ficaram feridos, conforme dados do Ministério do Interior citados pelo g1. Um manifestante morreu após sofrer uma parada cardíaca. O presidente Macron condenou a violência em pronunciamento no domingo, 18 de outubro, e defendeu a separação entre as reivindicações e os atos de destruição.
O que foi o Maio de 1968 na França?
O Maio de 1968 foi um período de mobilização na França marcado por protestos estudantis, ocupações e uma greve geral. Segundo o material de referência sobre o episódio, a agitação durou sete semanas e envolveu universidades e fábricas.
O movimento começou com ocupações organizadas por estudantes de esquerda, que contestavam o capitalismo, o consumismo e instituições tradicionais. Após a repressão policial, confederações sindicais convocaram greves de solidariedade. A paralisação se ampliou e envolveu 11 milhões de trabalhadores, de acordo com a referência.
O que aconteceu em Paris em maio de 1968?
Paris foi palco de confrontos entre manifestantes e policiais durante o Maio de 1968. A referência relata episódios de violência nas ruas do Quartier Latin, em meio às ocupações estudantis e às greves que se espalhavam pela França.
No fim daquele mês, governo, sindicatos e empregadores fecharam os acordos de Grenelle, que trouxeram ganhos salariais aos trabalhadores. O presidente Charles de Gaulle dissolveu a Assembleia Nacional e convocou eleições parlamentares para 23 de junho de 1968. Após a eleição, os gaullistas saíram fortalecidos, segundo a referência.
Os protestos de 2026 são uma repetição do Maio de 1968?
Os dois movimentos começaram com participação estudantil e ganharam dimensão nacional, mas têm contextos e trajetórias próprios. Em 1968, ocupações universitárias deram lugar a uma greve geral que atingiu fábricas. Em 2026, a mobilização começou nas escolas e incorporou reivindicações ligadas ao custo de vida e aos serviços públicos.
Para o cientista político Thomás Zicman de Barros, ouvido pelo g1, a referência mais próxima para entender os atos atuais é a dos Coletes Amarelos, que se mobilizaram na França a partir de 2018. Segundo ele, grupos ligados a esse movimento já planejavam protestos contra o custo de vida antes de as manifestações estudantis começarem em 2026. As duas pautas acabaram se encontrando nas ruas.
Foto de capa: Yann Caradec from Paris, France/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

