Levantamento aponta redução de 499 para 128 ocorrências entre janeiro e meados de outubro, na comparação com 2025.
As áreas protegidas do Amazonas registraram 128 focos de calor entre janeiro e meados de outubro de 2026, ante 499 no mesmo intervalo de 2025. A queda foi de 74,3%, segundo levantamento do g1 com dados do sistema BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O recuo ocorreu em Terras Indígenas e Unidades de Conservação federais e estaduais. Nas unidades administradas pelo estado, porém, a redução foi menor que nas demais categorias. O material consultado não informa a causa da queda nos registros.
Onde estão os focos nas áreas estaduais
As Unidades de Conservação estaduais passaram de 110 focos em 2025 para 51 em 2026, uma redução de 53,6%. Duas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) concentraram a maior parte dessas ocorrências, de acordo com os dados do BDQueimadas apresentados no levantamento.
A APA Margem Direita do Rio Negro – Setor Paduari-Solimões teve 19 registros, ou 37,3% do total da categoria. A APA Nhamundá veio em seguida, com 17 focos, equivalentes a 33,3%.
Registros em Terras Indígenas e áreas federais
Nas Terras Indígenas do Amazonas, os focos caíram de 245 para 71 no período comparado. A TI Andirá-Marau teve o maior número de registros em 2026, com 18. A TI Murutinga/Tracajá e a TI Rio Jumas tiveram cinco focos cada. Em 2025, a liderança havia sido da TI Tenharim Marmelos, com 43.
Registros no Amazonas entre janeiro e meados de outubro de cada ano
- UCs estaduaisFocos de calor11051
- Terras IndígenasFocos de calor24571
- UCs federaisFocos de calor1446
A maior queda entre as categorias analisadas ocorreu nas Unidades de Conservação federais: de 144 focos em 2025 para 6 em 2026. Dois registros foram identificados no Parque Nacional Mapinguari. As florestas nacionais de Urupadi, Iquiri e Mapiá-Inauini e a Reserva Extrativista do Médio Purús tiveram um foco cada.
Desafios para a proteção
O recuo dos focos não elimina as dificuldades de proteção das áreas, segundo especialistas citados no levantamento. Áreas próximas a estradas e fronteiras agrícolas, especialmente APAs e reservas, enfrentam pressão de atividades ilegais.
O pesquisador Antônio Norte aponta a distância entre a proteção estabelecida em lei e a capacidade de monitorar territórios extensos. Para quem vive nessas regiões, ele também destaca a necessidade de segurança jurídica. Moradores enfrentam ainda isolamento geográfico e dificuldades de acesso a serviços básicos, como energia elétrica, internet, água potável e educação.
Com informações de g1.
Foto de capa: Neil Palmer/CIAT/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

