Guias relatam visitantes que adiam atividades, mas dizem que os cancelamentos são pontuais.
O turismo no Amazonas caiu 15% em agosto de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra uma retração no setor, mas o dado, por si só, não estabelece a causa da queda.
Em meio aos episódios de fumaça de queimadas e incêndios florestais no estado, guias de turismo relatam menos procura e visitantes que adiam passeios à espera de melhores condições do ar. O problema se agravou em Manaus nos primeiros dias de outubro de 2026, depois do mês a que se refere o levantamento do IBGE.
O que mostram os dados do turismo no Amazonas
A queda de 15% compara agosto de 2026 com agosto de 2025, de acordo com o IBGE. A informação divulgada não corresponde a uma contagem de visitantes e não permite atribuir toda a retração à fumaça.
Indicadores divulgados para períodos distintos de 2026.
- 15%Queda do turismoAgosto de 2026 ante agosto de 2025
- 5.365Focos de incêndioDe 1º de setembro a 14 de outubro
- 195%Aumento dos focosAnte o mesmo período de 2025
- 36 dos 62Municípios em emergênciaDecreto estadual de 10 de outubro
A dimensão dos incêndios aparece em outro levantamento: o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 5.365 focos de incêndio no Amazonas entre 1º de setembro e 14 de outubro de 2026. Segundo o instituto, o total foi 195% maior que no mesmo período de 2025. Em 10 de outubro de 2026, o governo estadual decretou situação de emergência em 36 dos 62 municípios amazonenses; o governo federal reconheceu a medida no mesmo dia.
Como a fumaça afeta os passeios
A fumaça pode levar turistas a adiar atividades, segundo profissionais que trabalham com passeios no Amazonas. Ao g1, Jairo Félix, vice-presidente da Cooperativa de Guias e Agentes de Turismo do Estado do Amazonas, disse que alguns visitantes se surpreendem com as condições do ar ao chegar e preferem esperar uma melhora.
Jairo afirmou que os passeios continuam e que os cancelamentos são pontuais. O guia Mario Sergio de Jesus, que atua com ecoturismo e turismo de experiência, também percebeu redução no número de visitantes durante o período de fumaça. Segundo ele, o problema não atinge todos os destinos da mesma forma: a disponibilidade das atrações depende das condições ambientais de cada região.
O que fazer em Manaus
Manaus reúne passeios de natureza e atrações culturais, conforme o material de referência sobre turismo no Amazonas. Entre os pontos citados estão o Encontro das Águas, as praias da Lua, do Tupé e da Ponta Negra, além do Teatro Amazonas e do Mercado Municipal de Manaus.
A Praia da Lua fica na zona rural da capital, à margem esquerda do rio Negro. Já o Encontro das Águas é o trecho em que as águas dos rios Solimões e Negro seguem lado a lado sem se misturar de imediato. A existência dessas atrações não significa que todo passeio esteja disponível durante episódios de fumaça; as condições variam conforme o local, segundo os guias ouvidos pelo g1.
Quais lugares conhecer fora da capital
Presidente Figueiredo é um dos destinos de natureza citados no material de referência, com cachoeiras, cavernas e atividades de aventura. O guia Mario Sergio de Jesus trabalha com passeios no município, em Iranduba, Manaus e outros destinos do estado.

O Parque Nacional de Anavilhanas é outra atração mencionada na referência: seu arquipélago se distribui pela região de Manaus, Iranduba e Novo Airão. Para quem procura atividades durante a estiagem, Mario cita cachoeiras, rios e áreas de floresta como opções que podem continuar recebendo visitantes, a depender das condições ambientais de cada lugar.
Quando há mais procura por viagens ao Amazonas
Os meses de dezembro a fevereiro estão entre os períodos de maior procura, segundo Jairo Félix. Ele também aponta a temporada de pesca esportiva, que se estende pelo segundo semestre, como um período de movimento no setor.
Esses períodos descrevem a procura relatada pelo representante dos guias, não uma garantia de boas condições para passeios. Em outubro de 2026, a fumaça de incêndios afetou a programação de parte dos visitantes, embora as atividades não tenham sido interrompidas de forma geral, segundo os profissionais ouvidos pelo g1.
Foto de capa: SallesNeto_BR/Wikimedia Commons (Public domain)

