Relatório aponta que as promessas climáticas dos países ainda são insuficientes para conter a alta da temperatura.
O aquecimento global vai ultrapassar 1,5°C em relação ao período anterior à industrialização, segundo relatório divulgado em 21 de outubro de 2026 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A avaliação considera inevitável superar esse limite, mesmo com as promessas climáticas apresentadas pelos países.
O relatório atribui o resultado a décadas de medidas insuficientes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Se o mundo mantiver apenas as políticas já em vigor, a temperatura média poderá subir 2,8°C neste século e continuar aumentando depois disso, de acordo com o Pnuma.
O que é aquecimento global e como acontece
Aquecimento global é a elevação da temperatura média da atmosfera e dos oceanos. O processo é intensificado por gases liberados por atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis e mudanças no uso da terra, como o desmatamento. Entre esses gases estão o dióxido de carbono (CO₂) e o metano, que dificultam a dissipação do calor da Terra para o espaço.
O efeito estufa é o processo de retenção de calor na atmosfera; o aquecimento global é a elevação da temperatura associada à intensificação desse efeito. Segundo o material de referência sobre o tema, o aumento da temperatura ocorre desde meados do século XIX e tende a continuar enquanto as emissões permanecerem elevadas.
Quanto o planeta pode aquecer até 2100
As projeções do Pnuma variam conforme as medidas adotadas pelos países. Cumprir todas as promessas climáticas atuais reduziria o aquecimento projetado, mas não seria suficiente para manter a temperatura abaixo de 1,5°C.
Projeções e dados do relatório divulgado em 21 de outubro de 2026
- 2,6°CPromessas cumpridasProjeção para 2100
- 58,4 bilhões de toneladasEmissões globaisCO₂ equivalente em 2025
- 320 bilhões de toneladasRetirada de CO₂Necessárias ao longo do século
- 50%Chance de retornoA 1,5°C até 2100 no cenário favorável
| Cenário analisado pelo Pnuma | Projeção de aquecimento |
|---|---|
| Apenas políticas em vigor | Até 2,8°C neste século, com alta posterior |
| Cumprimento integral das promessas climáticas | Até 2,6°C em 2100 |
| Medidas mais rigorosas | Pico de 1,7°C a 1,8°C por volta de 2050, com possível retorno a 1,5°C até 2100 |
O cenário de medidas mais rigorosas não é uma previsão de que a temperatura voltará a 1,5°C. Mesmo nele, a chance estimada de retorno a esse patamar até o fim do século é de cerca de 50%, segundo a ONU.
O que significa o limite de 1,5°C
O limite de 1,5°C faz parte dos esforços previstos no Acordo de Paris, firmado em 2015. O acordo busca manter o aquecimento global bem abaixo de 2°C em relação à média pré-industrial e perseguir a meta mais ambiciosa de 1,5°C.
Superar esse patamar por um período não significa, segundo o Pnuma, que seja impossível voltar a ele até 2100. O relatório alerta, porém, que quanto maior for a alta da temperatura e quanto mais tempo ela durar, maiores serão os riscos para a saúde, a economia e os ecossistemas.
Quais são as consequências do aquecimento global
O aquecimento global aumenta os riscos de ondas de calor intensas, secas, enchentes e incêndios florestais, conforme o relatório. O Pnuma também aponta a possibilidade de alterações irreversíveis, entre elas a perda de grandes massas de gelo e a destruição de recifes de coral.
As mudanças atingem o ciclo da água: podem alterar as chuvas e agravar secas e enchentes, segundo o material de referência. Seus efeitos variam entre regiões e também afetam a disponibilidade de água, os ecossistemas e as condições de produção de alimentos.
Como combater o aquecimento global
Conter a alta da temperatura exige reduzir as emissões de gases de efeito estufa em escala maior do que a prevista nas promessas atuais. O Pnuma defende acelerar a substituição dos combustíveis fósseis, ampliar as fontes renováveis, diminuir as emissões de metano e combater o desmatamento.
O relatório estima que, para voltar a uma trajetória compatível com 1,5°C, seria necessário retirar aproximadamente 320 bilhões de toneladas de CO₂ da atmosfera ao longo do século. A recuperação de florestas e as tecnologias de captura e armazenamento de carbono são possibilidades citadas, mas enfrentam obstáculos tecnológicos e econômicos na escala exigida.
As emissões globais somaram aproximadamente 58,4 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2025, volume praticamente igual ao de 2024. A diferença está dentro da margem de incerteza dos cálculos; por isso, segundo o Pnuma, ainda não é possível afirmar que as emissões mundiais começaram a cair.
Foto de capa: U.S. Department of State from United States/Wikimedia Commons (Public domain)

