Professores explicam por que citar uma obra ou um fato não basta para fortalecer o argumento.
Na preparação para o Enem 2026, professores ouvidos pelo g1 alertam que o repertório cultural só ajuda na redação quando tem relação clara com o tema e sustenta o argumento do candidato. A prova de redação será aplicada no primeiro dia do exame, em 8 de novembro; a outra data de provas é 15 de novembro.
Os participantes terão de escrever um texto dissertativo-argumentativo sobre uma questão de ordem social, científica, cultural ou política. Segundo os professores, escolher uma referência conhecida não é o principal: é preciso entender o que ela acrescenta à discussão proposta.
Como a referência é avaliada
O repertório sociocultural entra principalmente na Competência 2 da correção, que considera a compreensão do tema, o uso de conhecimentos de diferentes áreas e a estrutura do texto dissertativo-argumentativo. Essa competência vale até 200 pontos, assim como cada uma das outras quatro, de acordo com o g1.
Três etapas para integrar o repertório ao argumento.
- 1Apresente a referênciaIdentifique a obra, o fato ou o conceito.
- 2Explique o exemploDestaque o aspecto ligado ao tema.
- 3Relacione ao argumentoMostre como sustenta seu ponto de vista.
Daniel Arantes, editor de conteúdo do Sistema de Ensino COC, explica que o repertório é uma informação ou produção cultural trazida pelo estudante para além dos textos de apoio da prova. Para contribuir com a redação, esse conhecimento precisa servir ao desenvolvimento da ideia defendida, não apenas demonstrar familiaridade com uma obra ou um autor.
Desde 2025, a Cartilha da Redação do Enem chama atenção para os chamados “repertórios de bolso”: referências memorizadas para uso em temas diferentes, mesmo sem uma ligação consistente com a proposta. Arantes afirma que uma informação externa sem conexão clara com o tema ou com a argumentação pode impedir que o texto alcance as faixas mais altas da Competência 2.
Que referências podem ser usadas
Não há, segundo o g1, uma lista de obras permitidas ou proibidas. O candidato pode recorrer a diferentes áreas, desde que conheça a referência e consiga explicar sua pertinência. Entre as possibilidades estão:
- Livros, com personagens e conflitos relacionados ao problema discutido.
- Filmes e séries, usados para estabelecer exemplos ou comparações.
- Músicas, quando seu conteúdo contribui para a análise.
- Fatos históricos e leis, para situar mudanças e questões sociais.
- Conceitos filosóficos e sociológicos, como apoio à interpretação.
- Pesquisas e fatos científicos, empregados com precisão.
As redações que receberam nota máxima em 2025 ilustram essa variedade. Ao tratar do envelhecimento na sociedade brasileira, candidatos usaram o livro O Karaíba, de Daniel Munduruku, o filme Vitória, protagonizado por Fernanda Montenegro, e a Lei dos Sexagenários, de 1885. Conforme o g1, as referências ajudaram a abordar aspectos distintos do tema.
Como relacionar a referência ao argumento
Arantes recomenda começar pela leitura atenta da proposta e dos textos de apoio para identificar o recorte do tema. Isso também ajuda a evitar que o candidato apenas reproduza informações já fornecidas na prova. Depois, a referência escolhida precisa cumprir uma função no raciocínio:
- Identificar a obra, o conceito, o fato ou a informação citada.
- Explicar o aspecto da referência que interessa ao tema.
- Mostrar como esse aspecto sustenta o argumento do texto.
David Gonçalves, professor de Redação da Plataforma AZ, alerta que abordar um assunto parecido não torna uma referência automaticamente útil. O problema aparece quando o candidato cita uma obra sem explicar sua relação com o que está defendendo. Também há risco em decorar frases sem compreender seu sentido, usar informações imprecisas ou atribuir ideias ao autor errado.
Uma forma de verificar a função do repertório é observar se sua retirada enfraqueceria o argumento. Se a referência não acrescenta nada à explicação, ela tende a funcionar apenas como uma citação solta, segundo os problemas apontados pelos professores.
Com informações de g1.
Foto de capa: ASU Department of English/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

