Estudo mostra onde o felino ainda encontra caminhos para circular e quais populações estão mais isoladas.
Um estudo publicado na revista científica Global Change Biology mapeou uma rede de aproximadamente 6,5 milhões de quilômetros quadrados que pode permitir a circulação de onças-pintadas entre populações de 11 países da América do Sul. Liderada pelo brasileiro Guilherme Costa Alvarenga, do Instituto Mamirauá e da Universidade de Oxford, a pesquisa usou dados de animais acompanhados por GPS.
O mapa também mostra os limites dessa conexão. Segundo os pesquisadores, estradas, cidades e áreas agrícolas dificultam o deslocamento das onças-pintadas e contribuem para o isolamento de parte das populações.
Onde vive a onça-pintada no Brasil?
A onça-pintada ocorre em diferentes ambientes brasileiros, mas nem todas as populações estão ligadas entre si. O estudo identificou uma extensa rede de caminhos que passa pela Amazônia, pelo Pantanal, pelo Cerrado e pela Caatinga, além de alcançar o Corredor Verde, entre Brasil e Argentina. Já na faixa costeira da Mata Atlântica, as áreas onde a espécie vive aparecem bastante separadas umas das outras e da rede maior.
Segundo o material de referência sobre a espécie, a distribuição da onça-pintada se estende do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina, embora ela tenha desaparecido de partes desse território. O felino costuma viver em ambientes de floresta tropical e tem forte associação com a água.
Como o GPS ajudou a mapear os caminhos das onças?
Os pesquisadores reuniram 231.017 registros de localização obtidos por colares de GPS usados em 86 fêmeas e 86 machos. Os dados vieram de animais que vivem sob diferentes condições ambientais e serviram de base para examinar por onde a espécie consegue se deslocar.
Números do levantamento feito com dados de animais monitorados por GPS
- 231.017Registros de localizaçãoObtidos por colares de GPS
- 307Áreas núcleoÁreas mapeadas pelo estudo
- 176Corredores de dispersãoIdentificados entre áreas núcleo
A análise apontou 307 áreas núcleo de ocorrência, que ocupam cerca de 7,75 milhões de km², e 176 corredores entre elas. Aproximadamente metade da extensão dessas áreas núcleo está dentro de áreas protegidas e Terras Indígenas, de acordo com o estudo.
O que atrapalha o deslocamento da onça-pintada?
A presença mais intensa de pessoas e rebanhos, junto com a alteração dos ambientes naturais, foi o conjunto de fatores mais desfavorável à movimentação das onças. Em contrapartida, os modelos indicaram condições melhores em áreas próximas da água e com maior produtividade ecológica. O levantamento encontrou várias quebras de conexão no México e na América Central.
Quando populações ficam separadas, diminui a troca de características genéticas entre elas. Segundo o estudo, isso pode aumentar os cruzamentos entre animais aparentados e, com o tempo, prejudicar a capacidade de adaptação da espécie.
Para que servem os corredores identificados?
Os mapas ajudam a indicar onde a proteção de um caminho existente ou a recuperação de uma área degradada pode beneficiar as onças. O estudo também aponta o combate à caça e a redução dos conflitos entre pessoas e grandes felinos entre as medidas de conservação.
Em uma análise voltada a áreas protegidas e Terras Indígenas, os pesquisadores encontraram 507 corredores potenciais entre 905 áreas. Nem todos representam passagens confirmadas em campo: possíveis ligações na região de Darién e entre o Corredor Verde–Iguaçu e a Serra do Mar apareceram em apenas um dos modelos e exigem mais investigação.
Como é a onça-pintada?
A onça-pintada é o maior felino das Américas. Segundo o material de referência sobre a espécie, ela tem pelagem com manchas e rosetas, mas também há animais inteiramente pretos, chamados de indivíduos melânicos. O mesmo material informa que seu peso geralmente varia de 65 a 100 quilos, com exemplares do Pantanal que podem ser maiores.
Seu nome científico é Panthera onca. A espécie é classificada como quase ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), conforme o material de referência, que aponta declínio das populações associado sobretudo à perda e à fragmentação dos ambientes onde vive.
Foto de capa: Alicia Yo/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)




