Laboratório nos Estados Unidos receberá detectores com tecnologias desenvolvidas pela Unicamp.
Cientistas preparam cavernas a 1,6 quilômetro de profundidade, em Lead, no estado americano de Dakota do Sul, para instalar detectores de neutrinos. Uma reportagem publicada em 27 de outubro de 2026 mostrou a descida até o laboratório do projeto Dune, que tenta entender propriedades dessas partículas e investigar por que a matéria prevaleceu sobre a antimatéria após o Big Bang.
Os neutrinos serão produzidos no Fermilab, perto de Chicago, e percorrerão aproximadamente 1,3 mil quilômetros através da Terra até os detectores. O experimento usará tecnologias desenvolvidas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); segundo os pesquisadores ouvidos pelo g1, as escavações terminaram em agosto de 2024 e a instalação dos equipamentos está em andamento.
Como detectar neutrinos?
O Dune pretende registrar as raras interações dos neutrinos com argônio líquido em detectores subterrâneos. O percurso previsto para o experimento tem três etapas:
Profundidade, percurso e estrutura previstos para o experimento
- 1,3 mil quilômetrosPercurso dos neutrinosAproximadamente, do Fermilab até Dakota do Sul
- quatroDetectores previstosAbastecidos com argônio líquido
- 17 mil toneladasArgônio por detectorQuantidade aproximada
| Etapa | O que acontece |
|---|---|
| Produção | Um acelerador do Fermilab gera um feixe de neutrinos. |
| Percurso | As partículas atravessam a Terra até Dakota do Sul. |
| Detecção | Sensores registram interações dos neutrinos com o argônio. |
A profundidade ajuda a barrar grande parte da radiação cósmica que chega à superfície e poderia interferir nas medições. Como os neutrinos quase não interagem com a matéria, os detectores precisam captar o máximo possível de informações de cada ocorrência.
O que são neutrinos?
Neutrinos são partículas subatômicas sem carga elétrica que atravessam rochas, planetas e o corpo humano quase sem interagir com a matéria. Essa dificuldade de observá-los explica o apelido de partículas fantasmas.
Segundo o material de referência sobre neutrinos, há três tipos, associados ao elétron, ao múon e ao tau. Eles podem se transformar uns nos outros, em um fenômeno chamado oscilação de neutrinos.
Como surgem os neutrinos solares?
Neutrinos solares são produzidos nas reações nucleares do Sol, conforme a reportagem do g1. Eles estão entre os neutrinos de origem natural que os pesquisadores esperam estudar nos detectores antes da operação completa do feixe produzido pelo Fermilab.
O projeto também pretende observar neutrinos gerados em explosões de estrelas. Essas partículas podem trazer informações sobre a formação de estrelas de nêutrons e buracos negros.
Neutrinos têm massa?
Há evidências de que os neutrinos têm massa, mas seu valor exato não é conhecido, segundo o material de referência. Os experimentos com oscilações fornecem informações sobre diferenças entre as massas dos três tipos, não uma medida exata da massa de cada um.
A massa é uma das propriedades que tornam essas partículas objeto de pesquisa. No Dune, os sinais captados pelos sensores também permitirão medir características como a energia dos neutrinos, de acordo com a física Ana Amélia Bergamini Machado, da Unicamp.
Qual é o papel da Unicamp no projeto Dune?
Pesquisadores liderados pela Unicamp desenvolveram um sistema para purificar o argônio líquido e o X-Arapuca, dispositivo que capta a luz gerada quando neutrinos interagem com a substância. A purificação remove impurezas que poderiam prejudicar os resultados; cada um dos quatro detectores previstos terá aproximadamente 17 mil toneladas de argônio líquido.
Segundo o g1, o Dune reúne mais de 200 instituições de pelo menos 35 países. O investimento total é estimado em aproximadamente R$ 20 bilhões, dos quais cerca de R$ 200 milhões correspondem à participação brasileira, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Foto de capa: Fermilab, Reidar Hahn/Wikimedia Commons (Public domain)




