Água passou sobre a estrutura nesta semana; fundações presas à rocha e inspeções ajudam a manter o acesso seguro.
A água do Rio Iguaçu passou sobre a passarela das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, na quarta-feira, 14 de outubro. A vazão chegou a 15,8 milhões de litros por segundo, mais de dez vezes a média histórica, segundo o g1.
O acesso leva turistas a um dos principais mirantes das quedas, mas precisa ser fechado durante grandes cheias. A passarela atual foi projetada para enfrentar a correnteza depois que a estrutura anterior acabou levada pela água na década de 1980.
Fundações presas à rocha
A resistência começa abaixo do leito do rio. Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, empresa que executou as fundações, explicou ao g1 que a obra usa estacas instaladas em perfurações feitas na rocha. Armaduras de aço e cimento injetado sob pressão fixam essas estacas, que sustentam a estrutura de concreto.
Volumes citados para a cheia, a estrutura e a reabertura do acesso
- 1,5 milhão de litros por segundoMédia histórica
- 8 milhões de litros por segundoLimite para reaberturaA vazão precisa estar abaixo desse valor
- 15,8 milhões de litros por segundoCheia de 14 de outubro
- 46 milhões de litros por segundoVazão já enfrentadaVolume de até esse valor
As fundações recebem o peso da passarela e dos visitantes, além da pressão lateral da água. Segundo Lorenzi, a força da correnteza exige mais da estrutura do que o choque de galhos e troncos carregados pelo rio. A passarela já enfrentou vazões de até 46 milhões de litros por segundo sem que suas vigas e colunas de concreto fossem arrastadas.
| Situação | Vazão do Rio Iguaçu |
|---|---|
| Média histórica | 1,5 milhão de litros por segundo |
| Cheia de 14 de outubro | 15,8 milhões de litros por segundo |
| Vazão já enfrentada pela passarela | Até 46 milhões de litros por segundo |
| Limite para considerar a reabertura | Abaixo de 8 milhões de litros por segundo |
Obra exigiu desvio do rio
A construção da passarela atual começou em 1992, após a perda da anterior, inaugurada em 1970. Márcio Marcon, engenheiro que participou da execução do projeto, contou ao g1 que foi necessário afastar temporariamente a água do trecho onde seriam instaladas as fundações.
A primeira tentativa de desvio, perto das quedas, não resistiu a uma cheia. As equipes então mudaram o ponto de contenção para alguns quilômetros das Cataratas. Com o trecho da obra sem água, puderam perfurar a rocha; a passarela foi remontada em 1993.
Inspeções acompanham os pilares
A concessionária Urbia+Cataratas informou ao g1 que mede periodicamente a posição dos pilares. Pequenos dispositivos instalados na passarela permitem detectar movimentações de poucos milímetros ao comparar as medições atuais com as anteriores. Segundo a empresa, não houve deslocamento dos pilares desde que ela iniciou esse acompanhamento.
As avaliações ocorrem anualmente e podem ser feitas com maior frequência após cheias ou caso apareça alguma alteração. Para reabrir o acesso depois de uma cheia, um engenheiro estrutural também vistoria os componentes e emite um laudo sobre as condições da passarela.
Quando o acesso pode voltar
De acordo com a Urbia+Cataratas, a passarela só recebe visitantes novamente quando a vazão cai para menos de 8 milhões de litros por segundo e a vistoria confirma a segurança da estrutura. As grades metálicas de proteção, retiradas preventivamente durante cheias, também precisam ser reinstaladas.
A retirada das grades facilita a passagem da água e reduz a possibilidade de galhos e troncos ficarem presos à estrutura; não indica, por si só, que a passarela sofreu danos. Antes da reabertura, a concessionária acompanha ainda as condições da bacia do Rio Iguaçu e dos reservatórios das hidrelétricas, diante da possibilidade de nova alta da vazão.
Com informações de g1.
Foto de capa: Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz)/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

