Estrutura construída em 1992 é monitorada para identificar deslocamentos nos pilares e só reabre após vistoria técnica.
A água passou sobre a passarela das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), durante uma cheia em outubro de 2026. Em reportagem publicada em 19 de outubro, o g1 detalhou como a estrutura, construída em 1992, foi projetada para enfrentar a força do Rio Iguaçu. Em 2014, ela resistiu a uma vazão de 46 milhões de litros de água por segundo.
O projeto substituiu uma passarela inaugurada em 1970 e levada pela correnteza numa cheia da década de 1980. Para construir a atual, as equipes precisaram desviar temporariamente o rio e fixar os pilares na rocha de seu leito. A resistência da estrutura continua a ser acompanhada por medições e inspeções, segundo a concessionária Urbia+Cataratas.
Onde ficam as Cataratas do Iguaçu
As Cataratas do Iguaçu ficam no Rio Iguaçu, na fronteira entre o Brasil e a Argentina. No lado brasileiro, estão no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná; no argentino, no Parque Nacional Iguazú, na província de Misiones. A passarela abordada na reportagem fica em Foz do Iguaçu, no lado brasileiro.
De acordo com o material de referência sobre as cataratas, o conjunto reúne cerca de 275 quedas d’água. O parque brasileiro foi instituído em 1939 e recebeu o reconhecimento de Patrimônio Mundial em 1986; o parque argentino havia sido criado em 1934 e recebeu esse reconhecimento em 1984.
Por que a antiga passarela foi substituída
A passarela anterior foi arrastada pelo rio durante uma cheia na década de 1980, segundo o g1. O desafio da obra iniciada em 1992 era manter o novo caminho firme mesmo quando a água subisse acima da área usada pelos visitantes.
A primeira tentativa de desviar o rio, perto das quedas, não resistiu a uma enchente: a água levou parte da contenção e equipamentos de trabalho. As equipes então fizeram outro desvio, a alguns quilômetros das cataratas. Com parte do leito seca, puderam perfurar a rocha e instalar as fundações; de acordo com o engenheiro Márcio Marcon, que participou da obra, as equipes tinham entre 20 e 30 trabalhadores.
Como a passarela resiste à força da água
Os pilares são presos à rocha por fundações feitas com a técnica chamada estaca-raiz. Nesse processo, estruturas de aço são colocadas em perfurações na rocha, e uma mistura de cimento é injetada sob pressão. Assim, os pilares não ficam apenas apoiados no leito do rio.
Segundo Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, responsável pelas fundações, a estrutura precisa suportar o próprio peso, os visitantes e a pressão da correnteza, que cresce nas cheias. Troncos e galhos também podem atingi-la, mas, de acordo com o engenheiro, o fluxo da água impõe uma força maior às fundações.
Quando a passarela pode reabrir após uma cheia
A passarela só volta a receber visitantes quando a vazão cai para menos de 8 milhões de litros por segundo e uma avaliação técnica confirma que o acesso é seguro, informou a Urbia+Cataratas. Antes da reabertura, um engenheiro estrutural vistoria os pilares e outros componentes, identifica possíveis danos e emite um laudo. As grades metálicas retiradas preventivamente durante a cheia também precisam ser recolocadas.
Marcos da construção e condição informada para a reabertura
- 1970Primeira passarelaAno da inauguração
- 1992Nova construçãoInício da obra
- 8 milhões de litros por segundoLimite para reabrirVazão deve ficar abaixo desse valor
A concessionária acompanha a posição dos pilares com equipamentos capazes de detectar movimentos de poucos milímetros. Segundo a empresa, não foram identificados deslocamentos desde o início de suas medições. As avaliações são anuais, mas podem se tornar mais frequentes após cheias ou se houver alguma alteração; a concessionária também observa as condições da bacia do Rio Iguaçu e dos reservatórios das hidrelétricas antes de iniciar a reabertura.
Como se formaram as Cataratas do Iguaçu
A formação geológica das cataratas está ligada a processos vulcânicos de cerca de 500 milhões de anos atrás, conforme o material de referência. Esses processos moldaram o relevo por onde corre o Rio Iguaçu e onde se encontra o conjunto de quedas d’água. Essa história natural é distinta da construção da passarela usada pelos visitantes, iniciada em 1992.
Foto de capa: Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz)/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

