Mineradoras, usinas de açúcar, fábricas de alimentos, centros de distribuição e indústrias de embalagem têm algo em comum: em quase todas, produtos e materiais passam boa parte do tempo sobre uma correia transportadora. Ela substitui o transporte manual, reduz a movimentação de empilhadeiras e permite que a produção siga um fluxo contínuo entre as etapas do processo.
Escolher a correia certa envolve entender o material transportado, o ambiente e o regime de trabalho. Depois de instalada, a peça mais sensível do conjunto costuma ser a emenda, o ponto onde as duas extremidades são unidas para formar um anel fechado. É ali que aparecem boa parte das falhas que param uma linha.
Como uma correia transportadora é construída
Toda correia tem duas partes principais. A carcaça, formada por lonas de tecido ou por cabos de aço, suporta a tensão e dá estabilidade à correia. As coberturas superior e inferior protegem a carcaça e entram em contato com o produto e com os tambores. A espessura da cobertura superior é definida pela abrasividade da carga e pela altura de queda no ponto de carregamento.
Nas correias de borracha com lonas, a resistência é indicada pela tensão de ruptura por milímetro de largura e pelo número de lonas. As correias com cabos de aço atendem transportadores longos e de alta capacidade, como os de mineração. Já as correias sintéticas, de PVC ou PU, costumam ter uma ou duas lonas de poliéster e coberturas finas, adequadas a cargas leves e unitárias.
Materiais e aplicações mais comuns
Correias de borracha são a escolha para granéis pesados e abrasivos, como minério, brita, areia, carvão e cana, e podem receber compostos resistentes a calor, a óleo ou a chamas, conforme o processo. Correias de PVC atendem logística, embalagens e boa parte da indústria de alimentos. O poliuretano é indicado quando há contato com gorduras e óleos, ou quando se exige maior resistência a cortes.
Há ainda correias especiais, como as de tela metálica para fornos, as de PTFE para altas temperaturas, as modulares plásticas para lavagem intensa e as com taliscas e bordas para transportadores inclinados. A Special Belt reúne vários desses modelos de Correias transportadoras, o que facilita comparar materiais para cada etapa da linha.
Dimensionamento e escolha da correia
O dimensionamento começa pela capacidade desejada, em toneladas por hora ou unidades por minuto, e pela densidade do material. Com esses dados e a velocidade do transportador, define-se a largura da correia e o tipo de roletes, que podem formar uma calha para conter granéis ou trabalhar planos para cargas unitárias. A inclinação, o comprimento e o peso da carga determinam a tensão de trabalho e, portanto, a resistência necessária da carcaça.
O diâmetro dos tambores também precisa ser compatível com a correia, porque tambores pequenos demais fadigam as lonas e reduzem a vida útil. Temperatura do material, presença de umidade, produtos químicos e exigências sanitárias completam a lista de critérios para fechar a especificação.
Para que serve a emenda
A emenda transforma a correia, fornecida em rolo, em um anel contínuo no comprimento exato do transportador. Ela também é usada para reparar trechos danificados ou para ajustar o comprimento quando a correia se alonga com o uso. Por ser o ponto de união, precisa transmitir a mesma tensão que o restante da correia sem abrir, descolar ou criar degraus que batam nos raspadores.
Existem dois grandes grupos. A emenda mecânica usa grampos ou presilhas metálicas, é rápida de aplicar e permite abrir a correia com facilidade, mas cria uma junta com frestas. A emenda vulcanizada, a quente ou a frio, une as pontas por adesão química e pressão, deixando a superfície contínua e mais resistente. O conteúdo da Special Belt sobre a Função da emenda de correias transportadoras detalha quando cada método é indicado.
Falhas mais comuns nas emendas
Emendas mal executadas costumam apresentar descolamento das lonas, bolhas na cobertura, desalinhamento da correia logo após a junta e rasgos que começam nos furos dos grampos. As causas mais frequentes são corte fora de esquadro, limpeza insuficiente das superfícies, adesivo vencido, temperatura ou tempo de cura incorretos e tensão excessiva na partida.
Grampos metálicos também se desgastam com o tempo e podem soltar pinos, o que exige inspeção visual periódica. Em correias vulcanizadas, trincas transversais perto da emenda geralmente indicam que os tambores estão com diâmetro abaixo do recomendado ou que a correia está trabalhando com tensão maior do que a prevista.
Manutenção do transportador
Uma rotina de manutenção simples evita boa parte das paradas. Ela inclui verificar o alinhamento da correia, o estado dos roletes, a limpeza dos tambores, o funcionamento dos raspadores e o ajuste do esticador. Material acumulado sob a correia costuma indicar raspador gasto ou vedação deficiente no ponto de carga.
Registrar a data de cada emenda, o método usado e quem executou ajuda a identificar padrões de falha e planejar trocas antes que a correia rompa em operação. Toda intervenção deve ser feita com o equipamento desligado e bloqueado, conforme a NR-12.




