Karin Toledo tem a guarda do menino por decisão da Justiça egípcia, mas diz que ainda não conseguiu reencontrá-lo.
A brasileira Karin Rachel Aranha Toledo afirmou ao g1, em reportagem publicada em 23 de outubro de 2026, que não sabe mais como tentar reaver o filho Adam, levado pelo pai do Brasil para o Egito sem sua autorização. O caso de sequestro internacional de crianças começou em setembro de 2022, quando o menino tinha 4 anos. Desde então, ela não voltou a vê-lo.
Karin obteve uma decisão de guarda na Justiça egípcia, mas as tentativas de localizar Adam para cumpri-la não tiveram resultado, segundo o g1. De volta ao Brasil, ela afirma que não se sente segura para viajar novamente ao Egito sem apoio. O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso por meio da Embaixada do Brasil no Cairo.
Qual foi a decisão sobre a guarda de Adam
A Justiça egípcia concedeu a guarda de Adam à mãe em novembro de 2025, mas o menino não foi localizado nas tentativas de cumprimento da decisão relatadas pelo g1. Houve pelo menos três buscas sem sucesso. A Justiça do país também determinou a prisão do pai e da avó paterna por sete dias por descumprimento da ordem; a defesa de Karin pediu que o período fosse ampliado para seis meses.
Principais marcos da disputa relatados pelo g1
- setembro de 2022Ida ao EgitoPai levou Adam sem autorização da mãe
- 2023Prisão preventivaDeterminada pela Justiça Federal de Campinas
- novembro de 2025Decisão de guardaJustiça egípcia concedeu guarda à mãe
No Brasil, a Justiça Federal de Campinas determinou a prisão preventiva do pai em 2023. Ele também passou a integrar a lista de procurados da Interpol. Essas medidas e a decisão de guarda no Egito não resultaram, até a publicação da reportagem, no reencontro entre mãe e filho.
Como começou o caso de Karin e Adam
O pai levou Adam para o Egito em setembro de 2022, sem autorização de Karin, segundo o relato publicado pelo g1. A mãe se mudou para o país para acompanhar a disputa judicial. Em junho, ela contou que uma instituição a levou à Bélgica após receber ameaças; agora está no Brasil.
Karin disse ao g1 que não vê uma forma segura de retomar as tentativas no Egito por conta própria. Ela calcula ter gasto mais de R$ 500 mil com advogados, viagens e procedimentos ligados aos processos. O valor é uma estimativa da própria mãe.
O que é sequestro internacional de crianças
No âmbito da Convenção da Haia, a expressão descreve a transferência indevida de uma criança para outro país, ou sua retenção fora do país onde vivia. O termo tem sentido civil nesse tratado e não equivale, por si só, ao crime de sequestro previsto na legislação penal.
A convenção busca restabelecer a situação anterior à transferência ou retenção indevida, com procedimentos voltados ao retorno da criança. O material disponível sobre o caso de Adam não informa se esses procedimentos da convenção são aplicáveis à disputa no Egito; a decisão de guarda relatada na reportagem foi proferida pela Justiça egípcia.
Como funciona a Convenção da Haia
A Convenção da Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças se aplica a menores de 16 anos, conforme o texto de referência sobre o tratado. Seu procedimento trata do retorno ao país de onde a criança foi retirada ou no qual residia antes da retenção indevida, não da entrega automática ao pai ou à mãe que pede esse retorno.
Uma ação baseada na convenção não decide, por si, quem deve ficar com a guarda: ela define em qual país a disputa deve ser examinada. O Brasil incorporou o tratado por meio do Decreto 3.413, de 14 de abril de 2000. A convenção foi concluída em 25 de outubro de 1980 e entrou em vigor entre os países signatários em 1º de dezembro de 1983.
Quem acompanha casos de subtração internacional no Brasil
A Autoridade Central Administrativa Federal, conhecida como Acaf, é o órgão brasileiro encarregado das providências relativas a acordos internacionais sobre subtração e restituição de crianças, de acordo com o g1. No caso de Adam, o Ministério das Relações Exteriores afirma que a Embaixada do Brasil no Cairo acompanha a família desde 2022 e mantém contato com autoridades egípcias.
Segundo o Itamaraty, a assistência consular pode incluir interlocução com autoridades locais, visitas, orientação jurídica e facilitação de apoio psicológico. Procurados pelo g1, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Acaf e o governo egípcio não haviam respondido até a publicação da reportagem.
Foto de capa: Faris El-Gwely/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)




