Estabelecimento ampliou a equipe para manter o atendimento; proposta aprovada pelo Senado ainda não está em vigor.
Um hotel da Zona Sul de Ribeirão Preto (SP) adotou a escala 5×2 em todos os departamentos em 1º de janeiro de 2026, antes da aprovação, pelo Senado, da proposta que prevê o fim da escala 6×1. A empresa afirma que contratou funcionários para cobrir as folgas sem prejudicar o atendimento aos hóspedes nem perder produtividade, segundo reportagem do g1 publicada em 19 de outubro de 2026.
A mudança deu à camareira Edinalva Bernardo dois dias de descanso por semana. Ela contou à reportagem que passou a ter mais tempo para a família, para organizar a casa e para ir ao médico. A experiência do hotel ocorre enquanto as novas regras nacionais ainda aguardam etapas para entrar em vigor.
A escala 6×1 foi aprovada?
O Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, mas a alteração ainda não está em vigor. De acordo com o g1, o texto precisa ser promulgado pela Mesa do Congresso Nacional e publicado no Diário Oficial para que comece a contagem dos prazos previstos.
A proposta estabelece a escala 5×2, com dois dias de repouso semanal remunerado e sem redução salarial. Ela também prevê a diminuição gradual do limite de horas trabalhadas por semana. A aplicação das regras dependerá ainda de regulamentação e de negociações entre sindicatos e categorias.
Quando a mudança entra em vigor?
As primeiras mudanças estão previstas para 60 dias após a promulgação da PEC; portanto, não há uma data de início definida no material divulgado. Nessa etapa, o limite passa a 42 horas semanais e os trabalhadores ganham o direito a duas folgas. Depois de mais 12 meses, o teto chega a 40 horas, conforme o texto aprovado pelo Senado e descrito pelo g1.
A contagem dos prazos depende da promulgação da PEC.
- 44 horasLimite anteriorPor semana
- 60 diasPrimeiro prazoApós a promulgação
- 42 horasPrimeiro limitePor semana
- 12 mesesPrazo seguinteDepois da primeira etapa
- 40 horasLimite finalPor semana
| Etapa | Limite semanal | Quando ocorre |
|---|---|---|
| Regra anterior à mudança | 44 horas | Antes da entrada em vigor da PEC |
| Primeira etapa | 42 horas | 60 dias após a promulgação |
| Segunda etapa | 40 horas | 12 meses após a primeira etapa |
O que é a escala 6×1 e como fica a folga?
Na escala 6×1, o trabalho é distribuído em seis dias, seguidos de um dia de descanso; na 5×2, são cinco dias de trabalho e dois de folga. A proposta aprovada pelo Senado garante dois dias de repouso semanal remunerado, mas não define, por si só, em quais dias da semana cada pessoa descansará.
Segundo o g1, a distribuição das folgas e a organização dos horários dependem de regulamentação ou de acordos coletivos entre as categorias. O limite de 44 horas semanais que a PEC pretende reduzir foi estabelecido pela Constituição de 1988, conforme o material de referência sobre a história do trabalho no Brasil.
Como o hotel de Ribeirão Preto adotou a escala 5×2?
O hotel começou a transição pela equipe de governança em dezembro de 2025 e estendeu a escala 5×2 aos demais departamentos em janeiro de 2026. Segundo a empresa, a decisão foi precedida por estudos financeiros e operacionais voltados a manter o atendimento e oferecer mais tempo de descanso aos funcionários.
A administração afirma que aumentou o quadro de pessoal para cobrir os turnos. Uma representante do hotel relatou ao g1 que as vagas em aberto passaram a ser preenchidas com mais rapidez e que a mudança ajudou a reter profissionais. Com a proposta de redução do limite semanal aprovada no Senado, o estabelecimento iniciou um novo planejamento, com assessoria jurídica, para adaptar os horários das equipes.
Quais são os efeitos e os custos da mudança?
No hotel, a administração diz não ter registrado perda de produtividade após a adoção da escala 5×2, apesar dos custos com contratações. Edinalva Bernardo relatou que o descanso adicional a deixou mais disposta para trabalhar. São relatos sobre a experiência desse estabelecimento, não uma avaliação dos resultados da mudança em todo o setor.
Entidades que representam comércio e serviços criticam a rapidez da votação da PEC e apontam possíveis dificuldades para empresas, sobretudo as de pequeno porte, além do risco de repasse de custos aos consumidores, segundo o g1. A analista de recursos humanos Tayara Beraldo, ouvida pela reportagem, avalia que mais tempo livre pode ajudar trabalhadores a resolver pendências e cuidar da saúde.
Foto de capa: Wilson Dias/ABr/Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

