Justiça autorizou perícia no processo criminal, mas eventual afastamento do vereador de Ribeirão Preto depende de outras medidas.
A Justiça autorizou, em 19 de outubro de 2026, um exame oficial de sanidade mental do vereador Bigodini (MDB), de Ribeirão Preto (SP). A decisão atendeu a um pedido da defesa e suspendeu a audiência de instrução e julgamento no processo criminal relacionado a um acidente de trânsito ocorrido em 2025.
O pedido de exame não afasta Bigodini da Câmara Municipal. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, nem a solicitação da perícia nem os laudos particulares apresentados pela defesa provocam a perda automática do mandato.
Bigodini ainda é vereador?
Sim. Roger Ronan da Silva, conhecido como Bigodini, exerce seu primeiro mandato como vereador de Ribeirão Preto e voltou às atividades parlamentares em maio de 2026, após cumprir uma suspensão de 180 dias aprovada pela Câmara.
A punição administrativa foi decidida em novembro de 2025, em um processo por quebra de decoro relacionado às investigações do acidente. Bigodini responde à ação criminal em liberdade.
O que acontece após o exame de sanidade mental?
O processo criminal fica paralisado até a conclusão do laudo dos peritos nomeados pela Justiça. De acordo com o advogado criminalista Daniel Pacheco, os pareceres particulares apresentados pela defesa não substituem a perícia oficial nem obrigam o juiz a seguir suas conclusões.
Se os peritos concluírem que Bigodini não tinha capacidade de compreender o caráter ilícito dos fatos na época, o caso pode resultar em absolvição imprópria ou suspensão do processo, com aplicação de medida de segurança, como tratamento médico compulsório. Se o laudo apontar plena capacidade mental, a ação será retomada até o julgamento.
Bigodini pode perder o mandato?
Pode, mas não por causa do pedido de exame, de forma imediata ou automática. Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, se a perícia oficial apontar incapacidade mental, a Câmara poderá recorrer à Justiça para pedir o afastamento ou a perda do cargo por inaptidão, em vez de aplicar uma cassação por quebra de decoro ligada à condição de saúde.
Se a tese de insanidade for rejeitada, ou se houver comprovação de falsidade nos laudos particulares, poderá ser aberto um novo processo político por quebra de decoro. Os juristas também apontam a possibilidade de perda do mandato pela via eleitoral e administrativa caso a ação criminal avance até uma condenação nas condições descritas por eles.
Como foi o acidente envolvendo Bigodini?
O acidente ocorreu em 28 de setembro de 2025, na Avenida do Café, em Ribeirão Preto. Um SUV alugado pelo vereador bateu em uma árvore. No atendimento inicial, a ex-namorada dele disse à Polícia Militar que dirigia o veículo, mas a investigação da Polícia Civil apontou Bigodini como motorista.
Do acidente ao retorno do vereador à Câmara de Ribeirão Preto.
- 28 de setembro de 2025AcidenteSUV colidiu contra uma árvore
- novembro de 2025Suspensão aprovadaCâmara fixou punição de 180 dias
- maio de 2026Retorno ao mandatoVereador reassumiu após cumprir a suspensão
Segundo a Polícia Civil, imagens de câmeras e dados do rastreador indicaram que ele dirigia sob efeito de álcool e chegou a atingir 183 km/h. O Ministério Público o denunciou por quatro crimes:
- Embriaguez ao volante.
- Falsidade ideológica.
- Fraude processual.
- Direção perigosa.
Foto de capa: MateusZF Mateus Záccaro from Ribeirão Preto, BR/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

